06 dezembro 2016

Fazer questão de parar. E esperar.

Tentamos abrandar o passo a caminho do Natal, mas parece que o tempo voa. Precisamos parar e voltar sempre ao mesmo início, e para isso não vamos ao anúncio do anjo a Maria. Vamos ao Éden. Relemos uma e outra vez e nunca parece o suficiente, a forma como fomos criados e a forma como nos perdemos.

Não abrandar o passo para meditar no Advento, é voltar a cair no mesmo erro que foi cometido no jardim: queremos ser como Deus, queremos ser donos do nosso tempo, queremos entreter-nos com coisas que - achamos nós - nos vão trazer felicidade. Precisamos mesmo inverter o processo. Precisamos perceber a urgência da chegada do Messias, e do privilégio que é termos a certeza de que ele veio e que já cumpriu tudo o que era necessário para nos libertar.

Não são as prendas, o bacalhau, ou até mesmo os que amamos ao nosso redor que tornarão esta época especial, mas ao contrário. Só nos juntamos e comemoramos porque esta época é especial. Marca o início de uma nova vida e uma esperança que é uma certeza.

Ou como diria Dietrich Bonhoeffer: "Uma cela de prisão, na qual alguém aguarda - e depende completamente no facto de que a porta para a liberdade só pode ser aberta do lado de fora, é uma boa imagem do que é o Advento".

28 novembro 2016

Não somos pessoas agradecidas.



Há quem se espante com esta história de importarmos o Halloween e não o dia de Acção de Graças. Mas por que razão haveríamos de tirar um dia para agradecer quando passamos o ano inteiro a reclamar?

A gratidão exige que nos maravilhemos com o que temos e que não nos detenhamos a pensar no que não temos. Mas isto não é simples. Achamos que merecemos sempre mais. Termos desejos não  é necessariamente mau, mas quando focamos as nossas atenções no que não temos, deixamos de agradecer.

Outro problema neste assunto da gratidão é que a nossa sociedade alimenta um espírito de ingratidão. E esta é a parte mais profunda e complicada. Vivemos rodeados de insatisfação e somos insatisfeitos de forma permanente. Recordava um exemplo que me marcou, no verão do ano passado, quando numa reportagem de telejornal, se tentava demonstrar que Portugal estava a conseguir sair da crise, entrevistando pessoas em plena época balnear no Algarve. À pergunta da jornalista, insinuando que o número de portugueses a fazer novamente férias fora de casa estava a aumentar, as respostas redundavam todas numa justificação de que sim, se estava a fazer férias fora de casa, mas que os gastos tinham de ser controlados, não se podia comer fora como antigamente, etc. Mesmo que alguém possa cometer alguns pequenos luxos, não passa pela cabeça - na nossa mentalidade portuguesa- dizer livremente que sim, podemos gastar dinheiro. Fica mal. Este é apenas um exemplo que se vê constantemente em outras pequenas coisas do dia-a-dia.

Por outro lado, a nossa sociedade alimenta um espírito de ingratidão porque fica bem sermos pessoas insatisfeitas. A insatisfação vive directamente ligada com a ambição e uma pessoa pouco ambiciosa é uma pessoa limitada. É como se se deixasse de sonhar e viver, alguém dizer que está feliz e contente com o que tem.

Há quem ache que a gratidão é pensamento positivo. Mas a gratidão não tem nada a ver com pensamento positivo.  A gratidão não exige que inventemos coisas que não existem ou que ignoremos o sofrimento que nos chega. A gratidão é acerca de olharmos para o que realmente importa e se pode achar na eternidade. Em última instância, a gratidão lida com o sofrimento dizendo-lhe: "Jesus passou por pior, venceu a morte".

A gratidão não reclama porque um espírito grato olha para tudo o que tem como algo que lhe foi oferecido. A gratidão não vê mérito, vê graça. 

A gratidão é algo que se cultiva e é algo que exige esforço. É um exercício de olhar ao nosso redor e ver de forma diferente e suficiente. "Deus deu-me isto, isto é bom e chega." A gratidão celebra o que já temos e enche-nos de alegria, em vez de nos consumir de anseios. Exige, também, escolher ver o copo meio cheio, em vez do copo meio vazio. Implica largar todo o tipo de gula, inveja, cobiça e outras coisas feias. Precisamos ocupar-nos de momentos em que tenhamos de enumerar só coisas boas e escrevê-las ou verbalizá-las.

 J.R. Miller, em 1912, dizia qualquer coisa como: "Para um cristão, dar graças deve ser acerca de ter Cristo no coração, transformando a nossa disposição e o nosso carácter. Dar graças deve ser, antes de mais um hábito, antes de se tornar uma qualidade intrínseca. Acções de louvor passageiras no meio de anos de queixumes, não é isso que é suposto ser. Canções quando os dias são solarengos, e nenhuma canção quando os dias estão encobertos, isso não trará uma vida de gratidão. O coração deve aprender a cantar sempre. Esta lição apenas é totalmente compreendida quando se torna um hábito que circunstância nenhuma pode abalar. Devemos persistir em sermos agradecidos. Quando não vemos razão nenhuma para louvar, devemos acreditar no amor de Deus e na sua bondade, e ainda assim agradecer. Só aí, dar graças terá tomado o lugar certo dentro de nós; quando se torna parte de todos os nossos dias e em qualquer momento."

Vamos agradecer?

14 junho 2016

Diálogos


Maria: "Este bolo do caco é mesmo bom! Vem da Madeira, não é?"

Joaquim: "Achas? Comida que vem da madeira?"

06 junho 2016

The Fallen

Fui recordada que faz hoje 72 anos que se deu o desembarque na Normandia, a que se chamou o D-day,  e  onde se estima que perderam a vida cerca de 9 mil pessoas, entre civis, forças alemãs e aliados.

Em 2013, no dia da paz, Andy Moss e Jamie Wardley decidiram recriar, exactamente no mesmo espaço, os corpos caídos por esse areal. Chamaram a esta iniciativa The Fallen 9000.









03 junho 2016

Dizem que é tudo uma questão de organização.

O problema não é arrumar. É manter arrumado.









02 junho 2016

Nos meus sonhos

regresso das compras de costas direitas e compras na cabeça. Efeitos de todas as semanas andar pela linha de Sintra, provavelmente. Mas há uma harmonia e até uma concentração quase perfeita de quem carrega as coisas desta maneira.





31 maio 2016

Junho, que tens aí preparado?

- Kathrin Honesta -


Guerra

Primeiro vimos* a série "The Pacific", que nos deixou completamente vidrados, não só por estar muito bem filmada e conseguida, mas sobretudo por nos mostrar mais da guerra. Uma série onde cada personagem que achamos que pode vir ser a principal desaparece como vapor ali ao virar da esquina e onde terminar um diálogo com o companheiro do lado pode ser uma realidade altamente improvável.


Pouco depois, achámos na biblioteca aqui ao pé de casa, a série anterior a esta, "Band of brothers", e nela ficámos colados também. A guerra em toda a sua brutalidade, a descoberta dos campos de concentração e as poucas pessoas que sobrevivem a ela.

Se tiverem acesso a estas séries, vejam, que é tempo muito bem  gasto.





* - eu e o marido, que estas séries são para adultos.

24 maio 2016

23 maio 2016

Ouvir histórias.




Tem sido habitual, na Igreja da Lapa, ouvirmos testemunhos. Quando lá chegámos, há pouco mais de três anos, dedicámos largos meses a ouvir cada história singular de quem já lá estava, e de quem estava a chegar.

Quando ouvimos histórias de pessoas, não as passamos apenas a conhecer e compreender melhor,  mas conhecemos cada vez mais Deus. A forma como cada detalhe de cada vida esteve e está sempre nas suas mãos, mesmo quando não desejamos. Graças a Deus que não nos entrega a todas as nossas vontades, mesmo quando achamos que sim, que controlamos o nosso destino.

Nos nossos encontros de mulheres, temos continuado esta tradição. Queremos ouvir do que Deus tem feito e está a fazer nas vidas de mulheres de diferentes idades, culturas e lugares. No sábado passado ouvimos a Mirela, outro testemunho comovente de como Deus cuida, protege, abençoa e corrige.

19 maio 2016

Fracos meus.

Boinas, suspensórios, sacos de pano. Acessórios que nunca, mas nunca deviam ser substituídos por bonés, cintos e mochilas. Digo eu, pois.

17 maio 2016

Por amor.

Há coisas que se fazem não porque temos tempo (mas há alguém a quem sobre tempo?), nem porque nos abunda a paciência (falta-me tanta), nem por termos um particular talento.

Há coisas que se fazem - e são tantas - por um motivo apenas: por amor.

Era uma vez...

... uma menina que queria muito usar óculos. Durante mais ou menos 2 anos insistiu, mas em vão, a vista estava operacional. Até que essa menina desistiu. Foi pouco depois disso quando precisou de começar a usar óculos.

13 maio 2016

Quase Verão, será?

Não me canso das ilustrações da Sofia Bonati.

Meia dúzia são 6.


O Caleb fez 6 anos. A idade que a Maria  tinha quando se tornou a filha mais velha de 4. Mesmo não tendo tido bebés depois dele, tenho de confessar que ele tem crescido tão velozmente quanto os outros. Basta pensar nos interesses e gostos que tem, tão pouco enquadrados em muitos miúdos da mesma idade. Porque ter irmãos mais velhos é, na maior parte das vezes, seguir o comboio.

Todos os dias me alerta para os atacadores que não estão milimetricamente alinhados (socorro!) mas também todos os dias me lembra de coisas que me esqueço. No dia de aniversário dizíamos ao Caleb qualidades que gostamos nele. Duas delas são a alegria que tem em ajudar (e ver que alguém fica feliz) e a tranquilidade no meio da multidão.

Somos uma família de 6 há 6 anos, graças a Deus.


(foto de Hannah Bustrum, na manhã feliz de Páscoa)

09 maio 2016

12 são uma dúzia

Quando a Maria nasceu, pregou-nos um grande susto. Eu, que até já tinha assistido antes a um parto, apercebi-me que aquele novelo roxo e que foi levado sem hesitação para uma sala ao lado, sem proferir qualquer som, não estava bem. Não me ocorreu dizer nada, fiquei numa espécie de apatia que durou quase até ao dia seguinte, quando vi a minha primeira bebé numa incubadora. Nem lhe conseguia tocar. Uns dias depois viemos para casa. Em poucos meses perceberíamos que esta miúda era pouco silenciosa. Começou a falar um dialecto muito próprio desde cedo, e foi também desde cedo que desenvolvemos uma teoria acerca deste episódio de reanimação, que talvez lhe tivesse despoletado uma incapacidade de fazer silêncio.

São 12 os anos connosco. Continua a ter dificuldade em estar calada. Desde que se levanta até que se deita. Há duas semanas, ao acordar para um dia de escola como qualquer outro, apanhámos um enorme susto semelhante ao do nascimento, mas desta vez não estávamos no hospital nem com ninguém que nos socorresse. Tínhamos irmãos aflitos a presenciar, e uma ambulância a chegar. Foi mesmo e apenas só um susto, mas que não nos livrou de uns momentos de aflição, em que as nossas orações foram  pouco mais do que: "Senhor, ajuda-nos, Senhor!". Deus foi bom. Ele é sempre bom. Por isso este aniversário, uma dúzia de anos, teve um sabor ainda mais especial.




05 maio 2016

Quinta-feira de espiga

Sofia Bonati


Um fim-de-semana bonito

Depois de semanas particularmente intensas, podemos usar o verbo "descomprimir" para classificar este último fim-de-semana. Vejo tantas fotografias bonitas por aí que fico com vergonha de partilhar as minhas, até porque traduzem pouco do bom que foi ser espectadora (é a minha especialidade).

















Samuel Úria, Teatro S. Luiz  -  Tiago Guillul e amigos, Flur

12 abril 2016

...

Sofia Bonati


Jeremias


No sábado - baseados na data prevista de nascimento para 20 de Abril - escrevíamos num papel qual o nosso palpite para o momento do nascimento. Coloquei dia 19, de tão bem instalado que este sobrinho parecia. Foi uma semana antes disso. De seguida, escrevíamos desejos para a vida do Jeremias. É o meu 15° sobrinho, e o meu desejo é igual para todos: que ele seja um filho de Deus. Que cresça em estatura, sabedoria e graça, diante dos que o amam como nós, mas especialmente diante do Pai do céu.

Diálogos com um desconhecido


"So, you're Tiago's wife?"
"Yes."
"Is he as funny in portuguese as he is in english?"
"..."
"I was thinking that if he is funny in english, he must be real funny in portuguese."
"Yes..."
"So you are laughing all the time!"
"No!"


11 abril 2016

Domingos, o melhor e mais desafiante dia da semana

Bom, os domingos são aquele dia especial. Temos o privilégio de conduzir em direcção à Igreja e de ninguém nos impedir. Podemos carregar as nossas Bíblias pela mão e ninguém nos prende por isso. Ainda há demasiados locais pelo mundo em que ser cristão é ter a vida em risco, e por isso é bom lembrar que a certeza de entrarmos na nossa Igreja e estarmos em expressão de louvor como nos apetece é um luxo a ser usufruído. E quero usufruir esse luxo com a exuberância saudável que me é permitida.

Mas - como me dizia há muito tempo uma amiga, sempre que me queixava dos desafios que surgem ao domingo e que não surgem em qualquer  outro dia - não fazemos nada para Deus sem termos oposição. O diabo odeia louvor a Deus, odeia amor entre cristãos, odeia união. E sim, os domingos são dias igualmente desafiantes e é preciso manter o foco. Para servir, amar, estar, ouvir. Permanecer.