18 fevereiro 2017

E se?



Pedimos-te bênçãos.
Pedimos-te paz,
Conforto para a família,
Protecção durante o sono.
Pedimos-te cura,
E prosperidade.
Pedimos o alívio
Da tua mão poderosa.

E tu ouves sempre
Cada pedido,
Mas o teu amor é tão vasto,
Não cabe em coisas tão pequenas.

E se as tuas bênçãos
Chegarem com a chuva?
E se a tua cura
Chegar com lágrimas?
E se forem precisas
Mil noites em branco
Para sentirmos a tua presença?
E se os obstáculos da vida
Forem misericórdias disfarçadas?

Pedimos-te sabedoria
O som da tua voz
E choramos, irados, 
Se não te sentimos perto.
Duvidamos da tua bondade
E do teu amor
Como se não bastasse
A promessa da tua palavra.

E tu ouves sempre
Cada súplica desesperada
E esperas que tenhamos
A fé de acreditar.

E se as tuas bênçãos
Chegarem com a chuva?
E se a tua cura
Chegar com lágrimas?
E se forem precisas
Mil noites em branco
Para sentirmos a tua presença?
E se os obstáculos da vida
Forem misericórdias disfarçadas?


Quando os amigos nos traem
E as trevas parecem vencer 
Sabemos que a dor 
Relembra ao coração
Que este não é o nosso lar.

E se as tuas bênçãos
Chegarem com a chuva?
E se a tua cura
Chegar com lágrimas?
E se forem precisas
Mil noites em branco
Para sentirmos a tua presença?
E se os obstáculos da vida
Forem misericórdias disfarçadas?


E se as maiores desilusões,
E os sofrimentos desta vida 
Revelarem uma sede maior
Que este mundo não sacia?
E se as provações desta vida 
A chuva, as tempestades, as noites mais duras 
Forem misericórdias disfarçadas?



16 fevereiro 2017

Pormenores

No meio do caos de um quarto em reorganização (fotografei a parte que não parece caótica, claro), um dos meus filhos rapazes passa e comenta: "Compraste essa caixa com a flor? É bonita".

14 fevereiro 2017

Tremeliques

Fico sempre impressionada com a segurança com que algumas pessoas falam perante outras, mesmo quando o que têm para dizer não é assim tão importante. Parece que a facilidade é tanta, que falar mais uma vez não custa nada. É uma coisa que aborrece um bocadinho a quem pensa duas vezes antes de falar, porque quem usa o tempo de antena livremente parte do pressuposto que o tempo dos outros se pode usar assim. Não tenho essa opinião. Acho, até, que há uma grande vantagem em não se ter esse à vontade para falar: pensa-se duas vezes (ou vinte) se aquilo que vamos dizer é assim tão importante. Muitas vezes, não é. Quando é, e se ganha coragem, corre-se o risco de nem sempre dizer as coisas com a mesma certeza. Mas não faz mal. Se é para dizer a verdade, ou algo importante, diz-se na mesma, ainda que a voz trema.

09 fevereiro 2017

Era uma vez dois feijões


Recordo-me do dia em que, na escola primária, fizemos experiências com os nossos feijões. Um ficava exposto ao sol, outro dentro do cacifo da professora (que tinha umas frinchas no cimo), outro no corredor. Todos eram regados da mesma forma e o objectivo era ver como se desenvolviam. Foi engraçado perceber como reagiam, consoante o meio onde estavam e a quantidade de água que recebiam.

Em Dezembro passado, os nossos rapazes também trouxeram dois feijões da escola, e ficaram de tratar deles, junto à janela da cozinha, para ver como se desenvolviam. A preocupação diária em os regarem era tanta, que acabaram por encharcá-los umas quantas vezes, em dias em que o sol não espreitou propriamente.

A dada altura colocámos uma estaca no feijoeiro que crescia a maior velocidade, e esperei pelo dia em que os deitaria no lixo, que já não se desenvolveriam mais. Mas eles continuaram e tive, até de trocar os pequenos recipientes de vidro e acrescentar mais terra. Estão, agora, com umas florinhas amorosas e simples, que comovem até corações descrentes como o meu, no que toca a plantas dentro de casa.


Recordo aquele versículo que nos lembra sobre a ansiedade que tantas vezes temos com o amanhã. Que se Deus cuida dos lírios do campo, que não trabalham, quanto mais não cuidará de nós?

O da esquerda é do Caleb e o da direita é do Joaquim. Parece-me que escolheram crescer em função da estatura dos respectivos donos.

03 fevereiro 2017

Joaquim, 9 anos



O Joaquim desenha estas coisas num piscar de olhos.
Tudo na vida dele tem Lucky Luke, de há um ano - ou mais - para cá.

30 janeiro 2017

Sinais dos tempos


Até há muito pouco tempo, a ideia de ficar em casa num dia de folga parecia-me sempre ser um desperdício de tempo (a menos que fosse para dormir, que eu sempre gostei muito de dormir). Quando casámos, perspectivar um dia de descanso sem colocar os pés a caminho de um passeio (e não confundamos com centros comerciais, eu não gosto particularmente da ideia de ir passear para ver montras, nem nunca gostei) era como se o dia fosse um autêntico desperdício.

Quando me tornei mãe, a coisa não mudou: era mesmo necessário sair e fazer alguma coisa, a comprovar que não era a rotina dos dias que nos tomava, mas nós que tomávamos os dias. Com vários filhos pequenos, ir para o parque era uma espécie de manutenção de sanidade mental, também.

Pois eles cresceram, e dou comigo numa conquista que tem já algum tempo, mas que vai ganhando um sabor cada vez maior. É algo tão simples como isto: eles acordam e ficam no quarto até nós acordarmos também (isto só é possível ao sábado ou de férias) e ficamos em casa sem planos de maior. Eles voltam a ler ou descansar depois do almoço e nós descansamos também. O dia todo dentro de portas, assim.

Se dissessem que a Ana Rute a roçar os 40 anos ia amar dias assim, a Ana Rute de 25 atirava-se para o chão a rir.

26 janeiro 2017

O reino dos Céus cresce lentamente, mas cresce sempre.

O quadro que me foi oferecido, uns dias depois do Natal, relembra-me que o reino dos céus é trazido pelo Rei, não é algo que nós construímos. O reino é algo que herdamos, recebemos, e - que maravilha! - entramos. O reino é-nos oferecido, não somos nós que o concretizamos. Quando o crescimento nos parece lento, precisamos encontrar conforto nesta certeza.

22 janeiro 2017

Tudo para ti, Senhor Deus!

 - Foto de Vera Marmelo -

Há 5 anos, também era domingo. Acontecia uma cerimónia de formalização daquilo que já era o caminho da nossa família por mais de 5 anos. A cave em S. Domingos de Benfica tornava-se oficialmente uma Igreja, e o Pastor era assim reconhecido e consagrado em público.
Esta foto representa muito bem aquilo que Deus tem feito na nossa caminhada. Este dia tinha sido para lá de cansativo, mas também muito feliz. Nuns rostos vê-se ainda a alegria, nos outros já só resta o cansaço.

Deus tem sido fiel e misericordioso connosco. Quando penso na minha família e nesta vida que Deus nos deu a viver, às vezes fica fácil cair na tentação de pensar apenas naquilo que sacrificamos por causa do que acreditamos. É uma conversa recorrente aqui em casa: Amar a Deus é isso mesmo (e qualquer sacrifício é muito pouco, pensando na perseguição pelo mundo e no que Jesus fez por nós).

Penso muito para comigo no que gostava de ouvir os meus filhos dizerem acerca de nós, mais tarde. A minha oração é que eles possam dizer: "Os nossos pais não fizeram tudo certo. Foram, até, injustos muitas vezes. Nunca duvidámos que nos amavam. Mas mais do que isso, eles amavam a Deus acima de qualquer outra coisa, e o que faziam era apenas e só para o agradar."


É para isto que eu vivo: para a glória de Deus.

É tudo para ti, Senhor. Usa-me para o teu serviço e agrada-te dele!

19 janeiro 2017

Louvor em inglês!

At our church, Igreja da Lapa, the highest value is worship. White hot worship that honors God, glorifies Jesus and brings man into relationship with his Creator.

While it’s true that each moment of our life is an opportunity to worship, we also recognize that gathering together as believers to worship God is an unparalleled time and the pinnacle of our week. We gather as the family of God and declare together that Jesus is worthy of our praise.

Our desire is to see more and more people in our city gather to worship God in spirit and in truth and because of that, we recognize the need to offer an English speaking worship service to our community.

So what does this mean, to offer an English speaking worship service?

We want to highlight 3 things: Authentic Worship, Biblical Preaching and Deep Community:

Authentic Worship: The Bible teaches us to gather regularly, sing psalms, hymns and spiritual songs, to encourage each other and to dive deep into God’s Word.

Biblical Preaching: God’s Word is the central part of our service and each time we gather to hear the Word we open our hearts and minds to God’s purposes for our lives.


Deep Community: Loving God and loving others. It’s the greatest commandment and one of the greatest blessings as we serve one another and do life together!

So join us as we worship God together; whether you are an English speaker who would love to worship in your heart language or someone who appreciates the English language and wants to check out what church is all about. We welcome you to join us on this incredible journey.

See you at Lapa!


13 janeiro 2017

Silêncio

"Silêncio" é o filme baseado no livro de Shūsaku Endō, e é uma história escrita tendo por base a horrível perseguição aos cristãos no Japão do século XVI. Neste caso, a de dois padres portugueses que vão em busca de um outro padre mentor, que se diz que renegou a fé.

Não posso contar mais, nem devo. Vão ver!





“I do not believe that God has given us this trial to not purpose. I know that the day will come when we will clearly understand why this persecution with all it's sufferings has been bestowed upon us - for everything that Our Lord does is for our good. And yet, even as I write these words I feel the oppressive weight in my heart of those last stammering words of Kichijiro in the morning of his departure: "Why has Deus Sama imposed this suffering on us?" and then the resentment in those eyes that he turned upon me. "Father", he had said "what evil have we done?"


02 janeiro 2017

Adeus 2016, bem-vindo 2017!


Escrevia há mais ou menos um ano que sabia que 2016 traria tempestades mas de facto não sabia o que vinha aí. Foi um ano tão doce quanto difícil. A conclusão no final é sempre a mesma: Deus é bom, Ele só sabe ser bom, Ele não tem como não ser bom.

2016 não trouxe respostas fáceis, até porque não há nada de fácil na vida de um cristão. O sofrimento é um facto (a primeira carta de Pedro retirou-me todas as dúvidas de que é possível ser crente e ter uma vida tranquila); um facto que se vive com outros, e se é difícil sofrer e ver sofrer!

Mas Deus é bom e é no sofrimento que se revela melhor. Em 2016 aprendi a ficar calada mais vezes (ainda tenho de ficar calada muitas mais) e a não encontrar nem dar respostas simplistas. O sofrimento não é light e vive-se com muitos "não sei" e bastantes lágrimas. Jesus não as evitou, e essa é a grande consolação: não há sofrimento que ele não tenha conhecido.

Ainda assim, entrámos em 2017 em paz, na nossa Igreja. Uma paz que tantos cristãos não podem ter, a paz de saber que vamos terminar as nossas orações sem termos a vida em risco. A paz de podermos chorar os nossos "sofrimentozinhos" com tanto sofrimento por esta causa maior! E é esta perspectiva que precisamos continuar a ter todos os dias, para que consigamos olhar além do nosso umbigo.

Sei que em 2017 Deus continuará a ser bom (e espero nunca deixar de o repetir) e não sei que mais trará para vivermos, mas sei que não dará nada que não seja o melhor para nós. O desafio é permanecer firme e não duvidar. Que Ele nos ajude!

30 dezembro 2016

Leituras de 2016

Em 2016 li alguns livros. Todos eles com um objectivo muito interesseiro (acho que já estou numa idade em que posso ler apenas e só porque me apetece), e nem sempre com disciplina. Alguns deles tiveram uma leitura muito intermitente, outros li mais do que uma vez (O "Cuidado com o alemão" três vezes no espaço de duas semanas). Há um que ainda não terminei.

Mas em 2016 contrariei-me nesta tendência de leitura ao encontro das minhas necessidades. Pratiquei uma leitura mais intencional da Bíblia e menos errática. Li a primeira carta de Pedro mais de 20 vezes, toda de seguida, mesmo quando Pedro me soava a brutamontes ou não me conseguia identificar com nada do que ele estava a querer transmitir. Decorei alguns versículos que não quero esquecer e estudei-o durante uns dias na conferência da Gospel Coalition em Indianapolis com a cunhada Marta (uma das coisas muito doces de 2016, ouvir e ver algumas das pessoas que leio há uma década pela internet, e estar com o meu irmão e família no Mississipi), e mais tarde - durante 9 semanas - com o grupo de mulheres da Igreja da Lapa.

Não sei que livros lerei em 2017 (e recomendo qualquer um desta foto) mas a Bíblia no centro permanece. Tenho um caminho ainda longo a percorrer nesta história da distracção e das leituras pela internet (que nem sempre são muito producentes) mas quero aumentar esta intenção: ler o livro mais importante de todos e estudá-lo como deve ser, todos os dias.

Venha 2017!

24 dezembro 2016

A genealogia de Jesus como uma lembrança.

Chegamos ao Natal com a lembrança de que Jesus foi um ser humano?

A genealogia de Jesus ajuda-nos a recordar esta humanidade. Que embora fosse concebido de forma sobrenatural, Jesus teve uma família como nós e a sua árvore genealógica, embora bem real, não tinha muito de realeza. Que nasceu da forma mais humilde possível, que chegou em forma de um bebé.

Deus preparou este plano e cumpriu-o com todos os detalhes. Quando recordo que teve de existir primeiro Natal para depois a Páscoa, devo ter sempre presente de que não há rigorosamente nada que aconteça aqui na terra, em termos de dificuldades, que Jesus não tenha experimentado. Embora nunca tenha pecado, Jesus foi confrontado com os mesmos dilemas que eu e tu podemos viver em qualquer momento da vida. Jesus foi tentado. Jesus sofreu. Mais tarde, venceu a própria morte e deu-nos vida.
Agarremo-nos a esta certeza e enfrentemos as dificuldades com a companhia de alguém que já tudo isso experimentou.

É Natal porque Jesus um dia se tornou como um de nós. Glória nas alturas!

12 dezembro 2016

Jesus, o filho perfeito.

Quando o Natal está para chegar, não consigo evitar tentar imaginar como terá sido tudo. Não vale a pena contrariar os pensamentos com um "se não está na Bíblia é porque Deus não considerou que fosse importante saberes, Ana Rute", porque vou lá parar sempre. A verdade é que fico sempre intrigada com a forma como Deus escolhe fazer acontecer os seus planos, e no final reclino-me satisfeita. Já sei o final da história, que também é acerca de mim.

Bom, mas começando pela minha imaginação, penso sempre em Maria. Estima-se que seria uma adolescente. Como é que uma menina noiva confia mais do que os seus olhos podem ver, deixando que a sua reputação possa ser questionada por todos, é uma lição de tudo o que é a fé. É o que basta para a minha vida. Se Deus está comigo e sabe o que é melhor para mim, vou temer o quê?

Depois, estar grávida sem nunca ter tido um marido. Bem sei que os tempos eram outros e não havia grandes contemplações para as grávidas, mas como terá sido sentir um corpo todo em transformação sem em nada ter participado nisso? Como foi parir Jesus? Terá sido um parto com muitas ou poucas dores? Ganhou logo peso e mamou até que idade? Deu "boas noites" ou estava sempre a acordar?

E ser mãe de Jesus? É nesta parte que me detenho mais. Jesus foi um filho perfeito porque ele nunca pecou. Ah, quase sinto inveja de Maria. Uma mãe pecadora com um filho obediente! Alguém consegue imaginar? "Jesus, arruma o teu quarto!" - e ele arrumava. Um sonho. "Jesus, está na hora de tomar banho!" - e ele ia, sem protestos. Ma-ra-vi-lho-so! (Também penso naquela parte em que ninguém sabia dele e que o acharam no templo. Ele quase que parece indelicado. Mas não, ele dá os seus motivos e os tempos eram outros, as crianças não andavam atreladas aos pais).

Também penso me dava imenso jeito assistir a algumas cenas da infância de Jesus por uma razão: Jesus terá feito as coisas típicas de uma criança da idade dele, certo? Mas nunca errou. Portanto, podendo ver como Jesus se comportou facilmente poderíamos distinguir entre o que é típico da idade (e que devemos deixar passar) e o que é desobediência (os tempos de hoje não distinguem estas duas, e é tramadíssimo para quem quer educar um filho partindo do princípio que a sua natureza é má).

Um dos versículos que gosto mais, quando penso em Maria, é aquele em Lucas que fala de como Maria ouvia tanta coisa que os outros diziam mas que as guardava (ponderava) no seu coração. Fala-me sobre serenidade. Confiança. Certeza.

E vocês, o que pensam ou imaginam sobre esta história do Natal?






06 dezembro 2016

Fazer questão de parar. E esperar.

Tentamos abrandar o passo a caminho do Natal, mas parece que o tempo voa. Precisamos parar e voltar sempre ao mesmo início, e para isso não vamos ao anúncio do anjo a Maria. Vamos ao Éden. Relemos uma e outra vez e nunca parece o suficiente, a forma como fomos criados e a forma como nos perdemos.

Não abrandar o passo para meditar no Advento, é voltar a cair no mesmo erro que foi cometido no jardim: queremos ser como Deus, queremos ser donos do nosso tempo, queremos entreter-nos com coisas que - achamos nós - nos vão trazer felicidade. Precisamos mesmo inverter o processo. Precisamos perceber a urgência da chegada do Messias, e do privilégio que é termos a certeza de que ele veio e que já cumpriu tudo o que era necessário para nos libertar.

Não são as prendas, o bacalhau, ou até mesmo os que amamos ao nosso redor que tornarão esta época especial, mas ao contrário. Só nos juntamos e comemoramos porque esta época é especial. Marca o início de uma nova vida e uma esperança que é uma certeza.

Ou como diria Dietrich Bonhoeffer: "Uma cela de prisão, na qual alguém aguarda - e depende completamente no facto de que a porta para a liberdade só pode ser aberta do lado de fora, é uma boa imagem do que é o Advento".

28 novembro 2016

Não somos pessoas agradecidas.



Há quem se espante com esta história de importarmos o Halloween e não o dia de Acção de Graças. Mas por que razão haveríamos de tirar um dia para agradecer quando passamos o ano inteiro a reclamar?

A gratidão exige que nos maravilhemos com o que temos e que não nos detenhamos a pensar no que não temos. Mas isto não é simples. Achamos que merecemos sempre mais. Termos desejos não  é necessariamente mau, mas quando focamos as nossas atenções no que não temos, deixamos de agradecer.

Outro problema neste assunto da gratidão é que a nossa sociedade alimenta um espírito de ingratidão. E esta é a parte mais profunda e complicada. Vivemos rodeados de insatisfação e somos insatisfeitos de forma permanente. Recordava um exemplo que me marcou, no verão do ano passado, quando numa reportagem de telejornal, se tentava demonstrar que Portugal estava a conseguir sair da crise, entrevistando pessoas em plena época balnear no Algarve. À pergunta da jornalista, insinuando que o número de portugueses a fazer novamente férias fora de casa estava a aumentar, as respostas redundavam todas numa justificação de que sim, se estava a fazer férias fora de casa, mas que os gastos tinham de ser controlados, não se podia comer fora como antigamente, etc. Mesmo que alguém possa cometer alguns pequenos luxos, não passa pela cabeça - na nossa mentalidade portuguesa- dizer livremente que sim, podemos gastar dinheiro. Fica mal. Este é apenas um exemplo que se vê constantemente em outras pequenas coisas do dia-a-dia.

Por outro lado, a nossa sociedade alimenta um espírito de ingratidão porque fica bem sermos pessoas insatisfeitas. A insatisfação vive directamente ligada com a ambição e uma pessoa pouco ambiciosa é uma pessoa limitada. É como se se deixasse de sonhar e viver, alguém dizer que está feliz e contente com o que tem.

Há quem ache que a gratidão é pensamento positivo. Mas a gratidão não tem nada a ver com pensamento positivo.  A gratidão não exige que inventemos coisas que não existem ou que ignoremos o sofrimento que nos chega. A gratidão é acerca de olharmos para o que realmente importa e se pode achar na eternidade. Em última instância, a gratidão lida com o sofrimento dizendo-lhe: "Jesus passou por pior, venceu a morte".

A gratidão não reclama porque um espírito grato olha para tudo o que tem como algo que lhe foi oferecido. A gratidão não vê mérito, vê graça. 

A gratidão é algo que se cultiva e é algo que exige esforço. É um exercício de olhar ao nosso redor e ver de forma diferente e suficiente. "Deus deu-me isto, isto é bom e chega." A gratidão celebra o que já temos e enche-nos de alegria, em vez de nos consumir de anseios. Exige, também, escolher ver o copo meio cheio, em vez do copo meio vazio. Implica largar todo o tipo de gula, inveja, cobiça e outras coisas feias. Precisamos ocupar-nos de momentos em que tenhamos de enumerar só coisas boas e escrevê-las ou verbalizá-las.

 J.R. Miller, em 1912, dizia qualquer coisa como: "Para um cristão, dar graças deve ser acerca de ter Cristo no coração, transformando a nossa disposição e o nosso carácter. Dar graças deve ser, antes de mais um hábito, antes de se tornar uma qualidade intrínseca. Acções de louvor passageiras no meio de anos de queixumes, não é isso que é suposto ser. Canções quando os dias são solarengos, e nenhuma canção quando os dias estão encobertos, isso não trará uma vida de gratidão. O coração deve aprender a cantar sempre. Esta lição apenas é totalmente compreendida quando se torna um hábito que circunstância nenhuma pode abalar. Devemos persistir em sermos agradecidos. Quando não vemos razão nenhuma para louvar, devemos acreditar no amor de Deus e na sua bondade, e ainda assim agradecer. Só aí, dar graças terá tomado o lugar certo dentro de nós; quando se torna parte de todos os nossos dias e em qualquer momento."

Vamos agradecer?

14 junho 2016

Diálogos


Maria: "Este bolo do caco é mesmo bom! Vem da Madeira, não é?"

Joaquim: "Achas? Comida que vem da madeira?"

06 junho 2016

The Fallen

Fui recordada que faz hoje 72 anos que se deu o desembarque na Normandia, a que se chamou o D-day,  e  onde se estima que perderam a vida cerca de 9 mil pessoas, entre civis, forças alemãs e aliados.

Em 2013, no dia da paz, Andy Moss e Jamie Wardley decidiram recriar, exactamente no mesmo espaço, os corpos caídos por esse areal. Chamaram a esta iniciativa The Fallen 9000.









03 junho 2016

Dizem que é tudo uma questão de organização.

O problema não é arrumar. É manter arrumado.









02 junho 2016

Nos meus sonhos

regresso das compras de costas direitas e compras na cabeça. Efeitos de todas as semanas andar pela linha de Sintra, provavelmente. Mas há uma harmonia e até uma concentração quase perfeita de quem carrega as coisas desta maneira.





31 maio 2016

Junho, que tens aí preparado?

- Kathrin Honesta -


Guerra

Primeiro vimos* a série "The Pacific", que nos deixou completamente vidrados, não só por estar muito bem filmada e conseguida, mas sobretudo por nos mostrar mais da guerra. Uma série onde cada personagem que achamos que pode vir ser a principal desaparece como vapor ali ao virar da esquina e onde terminar um diálogo com o companheiro do lado pode ser uma realidade altamente improvável.


Pouco depois, achámos na biblioteca aqui ao pé de casa, a série anterior a esta, "Band of brothers", e nela ficámos colados também. A guerra em toda a sua brutalidade, a descoberta dos campos de concentração e as poucas pessoas que sobrevivem a ela.

Se tiverem acesso a estas séries, vejam, que é tempo muito bem  gasto.





* - eu e o marido, que estas séries são para adultos.

24 maio 2016

23 maio 2016

Ouvir histórias.




Tem sido habitual, na Igreja da Lapa, ouvirmos testemunhos. Quando lá chegámos, há pouco mais de três anos, dedicámos largos meses a ouvir cada história singular de quem já lá estava, e de quem estava a chegar.

Quando ouvimos histórias de pessoas, não as passamos apenas a conhecer e compreender melhor,  mas conhecemos cada vez mais Deus. A forma como cada detalhe de cada vida esteve e está sempre nas suas mãos, mesmo quando não desejamos. Graças a Deus que não nos entrega a todas as nossas vontades, mesmo quando achamos que sim, que controlamos o nosso destino.

Nos nossos encontros de mulheres, temos continuado esta tradição. Queremos ouvir do que Deus tem feito e está a fazer nas vidas de mulheres de diferentes idades, culturas e lugares. No sábado passado ouvimos a Mirela, outro testemunho comovente de como Deus cuida, protege, abençoa e corrige.

19 maio 2016

Fracos meus.

Boinas, suspensórios, sacos de pano. Acessórios que nunca, mas nunca deviam ser substituídos por bonés, cintos e mochilas. Digo eu, pois.

17 maio 2016

Por amor.

Há coisas que se fazem não porque temos tempo (mas há alguém a quem sobre tempo?), nem porque nos abunda a paciência (falta-me tanta), nem por termos um particular talento.

Há coisas que se fazem - e são tantas - por um motivo apenas: por amor.

Era uma vez...

... uma menina que queria muito usar óculos. Durante mais ou menos 2 anos insistiu, mas em vão, a vista estava operacional. Até que essa menina desistiu. Foi pouco depois disso quando precisou de começar a usar óculos.

13 maio 2016

Quase Verão, será?

Não me canso das ilustrações da Sofia Bonati.

Meia dúzia são 6.


O Caleb fez 6 anos. A idade que a Maria  tinha quando se tornou a filha mais velha de 4. Mesmo não tendo tido bebés depois dele, tenho de confessar que ele tem crescido tão velozmente quanto os outros. Basta pensar nos interesses e gostos que tem, tão pouco enquadrados em muitos miúdos da mesma idade. Porque ter irmãos mais velhos é, na maior parte das vezes, seguir o comboio.

Todos os dias me alerta para os atacadores que não estão milimetricamente alinhados (socorro!) mas também todos os dias me lembra de coisas que me esqueço. No dia de aniversário dizíamos ao Caleb qualidades que gostamos nele. Duas delas são a alegria que tem em ajudar (e ver que alguém fica feliz) e a tranquilidade no meio da multidão.

Somos uma família de 6 há 6 anos, graças a Deus.


(foto de Hannah Bustrum, na manhã feliz de Páscoa)

09 maio 2016

12 são uma dúzia

Quando a Maria nasceu, pregou-nos um grande susto. Eu, que até já tinha assistido antes a um parto, apercebi-me que aquele novelo roxo e que foi levado sem hesitação para uma sala ao lado, sem proferir qualquer som, não estava bem. Não me ocorreu dizer nada, fiquei numa espécie de apatia que durou quase até ao dia seguinte, quando vi a minha primeira bebé numa incubadora. Nem lhe conseguia tocar. Uns dias depois viemos para casa. Em poucos meses perceberíamos que esta miúda era pouco silenciosa. Começou a falar um dialecto muito próprio desde cedo, e foi também desde cedo que desenvolvemos uma teoria acerca deste episódio de reanimação, que talvez lhe tivesse despoletado uma incapacidade de fazer silêncio.

São 12 os anos connosco. Continua a ter dificuldade em estar calada. Desde que se levanta até que se deita. Há duas semanas, ao acordar para um dia de escola como qualquer outro, apanhámos um enorme susto semelhante ao do nascimento, mas desta vez não estávamos no hospital nem com ninguém que nos socorresse. Tínhamos irmãos aflitos a presenciar, e uma ambulância a chegar. Foi mesmo e apenas só um susto, mas que não nos livrou de uns momentos de aflição, em que as nossas orações foram  pouco mais do que: "Senhor, ajuda-nos, Senhor!". Deus foi bom. Ele é sempre bom. Por isso este aniversário, uma dúzia de anos, teve um sabor ainda mais especial.




05 maio 2016

Quinta-feira de espiga

Sofia Bonati


Um fim-de-semana bonito

Depois de semanas particularmente intensas, podemos usar o verbo "descomprimir" para classificar este último fim-de-semana. Vejo tantas fotografias bonitas por aí que fico com vergonha de partilhar as minhas, até porque traduzem pouco do bom que foi ser espectadora (é a minha especialidade).

















Samuel Úria, Teatro S. Luiz  -  Tiago Guillul e amigos, Flur