30 dezembro 2005

Em pleno Carrefour, eu escolhia uns tapetes e a Maria mexia na prateleira ao lado, de roupa embalada. Indecisa entre o verde seco e vermelho e o azul e verde seco, demorei mais uns dez segundos a fazer o ponto de situação.

Resultado: a pequena tinha "vestido" um soutien almofadado tamanho 48, a tiracolo. Olhou para mim com ar de quem finalmente tinha conseguido vestir qualquer coisa (passa a vida a tentar com camisolas) e eu respondi-lhe, com ar sério: "Ficas muito gira com esse soutien pendurado ao pescoço, filha." E voltei a colocar tudo no sítio. Peguei-lhe na mão e levantei o olhar. Um senhor, agarrado ao seu carrinho, observava-me com grande ar de espanto.

O verdadeiro significado do Natal

Desde quarta-feira, dia em que li este post que me relembrei dele várias vezes. Está muito bom.

29 dezembro 2005

Da minha infância



Hoje é o meu último dia de trabalho do ano. A maior parte das pessoas tirou férias esta semana e eu tive de ficar, juntamente com mais meia dúzia. Cheguei eram 8h15m, um pouco mais cedo que o habitual, e desliguei o rádio da ficha. Trouxe cds. Já que o ano inteiro tenho de gramar com o único posto de rádio que a aparelhagem apanha num quarto interior, hoje é o meu dia e toca neste momento este cd.

Já na minha licença de maternidade, quando me lamentava com a minha incapacidade de reagir perante os mil e um palpites do resto do Mundo, o meu marido me dizia: "Faz-te uma mulher e responde." É isso mesmo, hoje impus-me. Está-me a saber bem.

Minnie

Os avós maternos não faziam ideia que esta Minnie, trazida directamente da Disneyland Paris quando tinha apenas um mês de idade, se tornaria na sua boneca preferida. Ontem chegámos a casa, tarde. Eram horas de ir dormir e cumprimos todos os rituais: muda de fralda, aquecer o colchão, preparar a roupa para o dia seguinte, brincar um bocadinho às comidas. Quando se abeira das grades e não vê a Minnie, corre a casa toda a chamar: "Nini!" e nada de boneca. Revirámos tudo. Chegou o papá, com a dita na mão. Sorriu, fechou os olhos quando lhe pegou, deu-lhe um beijo e voltou a olhar para ela e disse: "Niniiiii!"
E foram dormir.

Hoje de manhã

saí de casa e o arco-íris ilustrava o Céu.
E um dos meus sonhos para 2006 é ter uma casa nova com um quarto cheio de nuvens e um arco-íris.

28 dezembro 2005

Músicas que cantamos todos juntos

Havia um homem chamado Nicodemos
Ele amava a Deus mas não entendia nada.
Nicodemos, oh!oh!oh!
Nicodemos, oh!oh!oh!
Nicodemos, ó tens que nascer outra vez!

Meninice

Brinco às comidas, aos tachos e panelas numa cozinha miniatura. Usamos espirais tricolores reais dentro das frigideiras de plástico. A parte fantástica de se ser mãe de uma menina, é que posso reviver todas as brincadeiras de pequena sem ninguém dar por nada. Ela observa atentamente os meus gestos e imita-os numa perfeição espantosa. Vamos ser grandes amigas.

A 28 de Dezembro

A Segurança Social continua sem me pagar a baixa por assistência à família, pelo internamento da Maria em Outubro.

O pai ensina a filha a ser macaquinha

(quando condenava isto nos outros pais, antes de ele próprio ser pai)

Pai: "Maria, quais são os teus sentimentos perante a vida?"
Maria: (em tom de suspiro) "Ai, ai, ai..."

Chego à conclusão que a Susana Félix me consegue enervar quase tanto quanto o João Pedro Pais.



27 dezembro 2005

Momentos únicos


Foi prenda de Natal. Depois de a ver a adormecer o Nenuco com palmadinhas no rabo e a brincar às papas e às compras, observo-a sentada no meu colo, muito atenta a todas as músicas. Com os dedos entreabertos da mão direita, marca o ritmo no meu joelho. Sentadas no chão, respiro fundo.

Nuvens





26 dezembro 2005

Papa, mamã?




Quando eu era pequena, o dia 26 de Dezembro ainda era festa e ainda era família em casa. A avó Zé, mãe do meu pai, fazia anos.



23 dezembro 2005



Gosto tanto desta música

Já nasceu o Deus Menino
E as vaquinhas vão mugindo
Blim, blom Blim, blom
Blim, blom, laiá
Mary, Mary, Mary, Cristo Cristo,
Cristo, Mary, Mary
Esta noite olham por vós
Anjos cantam de lá do céu
Carneirinho me dá lã
Passarinhos de manhã Cantam (assobio)
Tudo tão bom Papai Noel momo do céu

Mary Cristo
Tribalistas
Composição: Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown

22 dezembro 2005

Ó Pai Natal,

era este livrinho. É tarde? Eu espero. E pacientemente que entres pela chaminé. Livra-te de entrares pela varanda a dentro numa corda iluminada.

De repente

umas saudades de comer um crepe chinês.
(Pai Natal?)

21 dezembro 2005

Em Caxias, estrelas cadentes,


aterram no meio das árvores, junto à Estação dos comboios.

Reflexos de amor

Gosto de dar presentes a quem me ocupa o coração. De uma forma ou de outra, quando se encontra um objecto e se projecta alguém na cabeça, é uma satisfação poder comprá-lo e oferecê-lo, sabendo que agradará. A obrigação do Natal desfaz em parte o prazer que é encontrar, ao acaso, um presente, ou procurá-lo com dedicação. A lista de pessoas é geralmente grande e a carteira pequena.
Ainda assim, começo as compras em Outubro. Fujo das agitações e procuro sem pressões. E consigo, na véspera de Natal, no próprio dia ou nos sábados em que fazemos trocas simbólicas com amigos, sentir muita alegria em observar o rosto de alguém que recebe algo que esperou ou que se surpreendeu e gostou.

Pai Natal

Pode ser esta ou esta pregadeira.

Pedido ao Pai Natal

Uma ilha no meio do Atlântico com uma casa cheia de espelhos para o Mário Soares. E bilhete só de ida.

20 dezembro 2005

Do mesmo lado.

No sábado, revimos a bebé Alice, a gatinhar para o seu primeiro Natal. Enquanto se movia pelo chão, a uma velocidade impressionante, dava para perceber que os nove meses que separam estas duas amiguinhas, se tornam cada vez mais insignificantes com o passar do tempo. Os balões que a Maria agitava no ar eram motivo de satisfação para a Alice, tal como os objectos que lhes prendiam a atenção. Aliás, a diferença etária que as distingue começa a ser tão pouca que se não tivessem nascido em anos civis distintos, entrariam ao mesmo tempo para a Escola Primária.

Do ciclo.

No Natal, sinto sempre a falta de quem já partiu. Com a lágrima ao canto do olho, sorrio com os que chegam e tomam o seu lugar, alegremente.

Brrr.

O excesso de trabalho retira-me as tradicionais férias que gozo entre o Natal e o Ano Novo. Gozaremos os ditos dias aos bochechos, sem outro remédio. A ajudar à festa: está demasiado frio. Demasiado.

Duas coisas que intrigam muito a minha filha:
Bebés que usam chuchas e bebés que gatinham.

Já li umas quatro vezes

e continuo a achar que não pode ser!

Este facto verídico.

18 dezembro 2005

16 dezembro 2005

Lua cheia



...

Geralmente, o pai vai buscá-la a casa dos avós e cruzamo-nos à chegada. Ou então, sou eu que a apanho porque o pai regressou mais cedo. Pelo segundo dia consecutivo, chegamos a casa e as luzes estão apagadas. À medida que as divisões ficavam iluminadas, rodava as mãos no ar e espantada perguntava: "Papá? Papá?". A coisa intensificou-se até colocar a tocar uma música cantada por ele. Suspirou e voltou a dizer, descansada: "Papááááá...".

É Natal














porque Jesus nasceu.

Detesto falar ao telefone!

48 minutos depois, diz-me o director: "Ainda me está a ouvir, não está?"

(Vivam as sms, vivam os e-mails, vivam as conversas ao vivo).

15 dezembro 2005

Hoje



Lua cheia.

São 8h22m, entro no gabinete, acendo a luz e vejo paredes repletas de ursinhos dourados, bonecos de neve brilhantes e sininhos pomposos. Afinal é Natal ou Carnaval?

14 dezembro 2005

Éramos diferentes mas tão poucos que pareciamos iguais.

No tempo em que ainda poucos sabiam o que era um blogue, em que o Technorati ainda nem existia e o site meter era um bicho de sete cabeças, o meu então blogue foi mencionado pelo JPP, ele mesmo. Na altura, fiquei contente mas o acto pareceu-me normal. Hoje, soa-me a esquisito. São muitos, somos demasiados.



Paciência

Chegar ao emprego, diariamente, sem ter de passar um único semáforo, torna-me uma pessoa intolerante quando vou a Lisboa. E dou comigo a achar-me impaciente.
Mas quando penso que aguardo desde Outubro que a Segurança Social me pague a baixa de 15 dias do internamento da minha filha, penso: "És paciente, rapariga! Muito!"

Para a avó Nice


um obrigado por ser uma verdadeira avó. Vida feliz.

13 dezembro 2005

As músicas que tocam no carro

têm todas ritmos diferentes. Mas o bebé marca-os todos, a seu tempo, com a mão no joelho. E canta ao mesmo tempo.

A última prenda de Natal

foi comprada hoje. Bye bye centros comerciais.

Fomos, pois fomos.

Quem dizia que a bebé não aguentava duas horinhas de espectáculo?


Primeira hora em pé, hipnotizada. Segunda hora no colo, refastelada. Para o final chuchava no dedo e batia palmas ao mesmo tempo.

(a fotografia que aqui devia constar seria a dos trapezistas. Mas quem bloqueou nesse momento fui eu e quando me lembrei era tarde demais.)



12 dezembro 2005

10 dezembro 2005

Cada palavra que dizes,
mesmo que temas dizê-la,
é uma luz que se acende
atrás de cada janela,
é um verso prometido,
é uma rima anunciada
que às vezes se desfaz
numa alegre gargalhada.


José Jorge Letria
"Versos para os pais lerem aos filhos em noites de Luar"

08 dezembro 2005

07 dezembro 2005

Dos comentários.

Este blogue tem nove meses. Criei-o sem comentários. Não porque não ligue às opiniões dos outros. Ligo bastante, quem me conhece sabe que sim. Mas este blogue foi criado para mim e para a minha primeira e única filha, por enquanto. A Maria merece conhecer a jovem que agora sou quando tiver capacidade para ler e entender.

Talvez este blogue a ajude a tolerar a mãe que virá e que nem sempre compreenderá. Não quero que em alguma altura duvide deste amor incondicional que mudou a minha vida. Mas se acontecer, este blogue também ajudará.

Este canto foi criado numa altura de particular desilusão com a blogosfera. Contudo, como diz o amigo ZM, "Once a blogger, always a blogger." Creio que é mais ou menos isto.

Dei-o a conhecer a meia dúzia de pessoas. Com o passar dos meses o círculo alargou-se e, neste momento, tem uma média de trinta visitas diárias. Sei precisamente de onde vêm através do Site Meter, em baixo. Nunca me esqueço de quem está do outro lado, a ler estes pedaços mal amanhados. E é raro o dia em que não recebo um mail a comentar alguma ideia. Gosto disso. Agradeço a fidelidade que representa abrir esta página.

Mas antes de tudo, estou eu. Depois, a Maria, principal destinatária. E há posts que não têm comentários porque existem por si só. São factos, apontamentos, simples.

Pais Natais

Duas amigas tradutoras responderam-me com este link:

" (...) Embora com significado diferente do que tem em terra natal, a palavra natal, que integra a expressão pai natal, é um adje(c)tivo, pois dois substantivos não podem ocorrer seguidos, a menos que estejam ligados por hífen ou preposição ou então que o segundo seja aposto do primeiro, o que, habitualmente, se assinala por meio de vírgulas. No primeiro caso inserem-se os exemplos que a consulente apresenta. Navio-escola e decreto-lei são palavras compostas, correspondendo cada uma delas a uma realidade. A expressão pai natal, por seu lado, embora designe uma só realidade não é (ou não tem sido considerada como se fosse) uma palavra só, mas sim uma expressão lexical, constituindo um grupo de palavras, inseparáveis no sentido que veiculam.
Está, evidentemente, nas mãos dos falantes alterar esta situação, pois é o uso, concertado e insistente, que acaba por ditar a norma e não o contrário. Mas nem sempre o uso pontual de uma determinada construção se torna tão consistente que altere a norma. No caso em análise, pai natal, por enquanto, não é uma palavra composta; é, sim, uma expressão constituída por um nome e um adje(c)tivo e sujeita a plural nas duas palavras (pais natais), dado que os adje(c)tivos concordam em gé[ê]nero e número com os substantivos que qualificam.
Se vier a tornar-se uma palavra composta, então passará, muito provavelmente, a ser grafada com hífen, como fazemos com navio-escola e, nessa altura, poderá até justificar-se que o plural seja pais-natal. Mas não é, no presente, o caso. E só se agradece aos jornalistas que não insistam no erro..."

in ciiberduvidas.sapo.pt (http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=12932&palavras=pais+natal)

06 dezembro 2005

Dúvida

Pais Natal ou Pais Natais?

(Todos os anos tenho esta dúvida. Está aberto o fórum.)

05 dezembro 2005

Blogues que leio e gosto (7)

Deusa do Lar.
Os desenhos são bons, os textos também e trata-se do meu padrinho de casamento.

04 dezembro 2005

03 dezembro 2005

Acerca dos crucifixos nas Escolas

é favor ler este post.

São dezanove meses

19,
um ano e sete meses.

30 novembro 2005

Para a Ana,


não a blogger, mas a amiga.

29 novembro 2005

Obrigada,obrigada,obrigada.

A Inês voltou. Viva!

O meu marido é tão importante, mas tão importante que até já escreve aqui.

27 novembro 2005

Eu tenho dois amores

(eu e o Marco Paulo temos algo em comum).

26 novembro 2005

Do circo

O que eu gosto não são as jaulas, nem os animaizinhos em poses humanas, os chicotes. O que me fascinou sempre no circo foram as pessoas. A contorcionista, o trapezista, o risco do que se fazia pelo ar e a habilidade de quem se movia em terra. A música, o apresentador, o encadeamento das várias cenas durante o espectáculo.
Sempre gostei dos momentos que o antecediam, as luzes cá fora, as bancadas frágeis, o vendedor de pipocas, a confusão das crianças, as conversas cruzadas.
Ainda hoje consigo sentir o nervoso miudinho dos dias natalícios, todos os anos, quando íamos ao circo. Uns bons anos depois disto, vamos voltar. Com o nosso elemento mais novo da família.

Está um dia lindo

para não sair de casa. Cá em casa, há regras que cumprimos à risca.

Passatempo do momento (inventado por ela)

Esconder-se de cócoras, nos cantos da casa e emitir gritinhos e risadas em jeito de: "Estou escondida, encontrem-me!".
Quando a encontramos, numa cena muito teatral de espanto, esconde a cara com as mãos.

25 novembro 2005

Chega.

Eu também, especialmente os inúmeros pendurados nas varandas e prédios deste país.

Nos intervalos das músicas

o Tamagotchi apita. Quando não quer comer, quer brincar. Quando não quer brincar, quer fazer chichi. Chama-se Tita, o Rufus morreu num ápice. Nem uma semaninha durou.

Conclusão à conlusão:

Visto que não tenho coragem de cortar o fio, peço os auscultadores emprestados ao meu marido.

Conclusão ao post anterior:

Corto um dos fios da aparelhagem sem ninguém ver e avaria-se de vez.

JPP

Quase ao fim de um ano, a aparelhagem do gabinete funciona novamente. Às 9h00m da matina sou brindada com um cd muito, muito antigo do Luís Represas. Aguento. Alguém se lembra de dizer que vai trazer cds e sou confrontada com um facto doloroso: tenho duas colegas que gostam de João Pedro Pais. Duas.

24 novembro 2005

Quando na hora do almoço, uma viatura que conduzia no sentido contrário se ia despistando na curva para cima de mim, recordei o texto que o Pai da Alice escreveu a 01 de Março deste ano:

Atravessar a rua
Há uns anos, numa entrevista a um pai recente (já dei voltas à cabeça mas não me recordo do seu nome), li uma resposta que me impressionou. Perguntaram-lhe o que tinha mudado com a paternidade. E ele resumiu tudo numa frase: «Olho com mais atenção antes de atravessar a
rua.» Na altura pareceu-me um exagero, mas agora já percebi que não é exagero nenhum.

Não só é verdade, como me doeu. O dia todo.

Do romeno para o português, lentamente.

Todos os dias somos surpreendidos com mais do que um gesto novo. Depois de dizer áuve (árvore) sempre em tom sussurrado, acrescenta um atau (Natal). Os sons saem cada vez mais com clareza, ainda de que uma forma muito trapalhona. À noite, pega-me pela mão e em vez da tradicional papa diz: ueite, pegando no biberão e apontando para o micro-ondas.

Barrigada de castanhas?

É comigo.

IEBM

A minha Igreja tem um blogue.

22 novembro 2005

Consulta dos 18 meses:

Desde Setembro, aumentou 5 cm e perdeu 120g. A cabeça permaneceu do mesmo tamanho.
Conclusão: percentil 95 no peso e altura. Percentil 100 na cabeça.

As vacinas acabaram.
As próximas são quando entrar para a Escola Primária! - disse a enfermeira.

(Tempo, agora podes passar devagarinho... pensei para comigo)

21 novembro 2005

Sábado passado- casório

"Qual era o bebé, qual era ele, que dançou a festa toda e quis subir para o palco imensas vezes?"

(a minha filha nasceu para o estrelato)

20 novembro 2005

Expoente máximo da amizade.

Há objectos que encontramos e gostamos tanto deles pela sua beleza que só fazem sentido se os dermos a alguém.

De família.

Estávamos na sala, eu devia ter uns 7 anos. De xaile posto, como sempre no Inverno, disse-me que estava escrito num papel que aqueles brincos, aquele anel e o fio eram para mim. Longe da ideia de morte, ouvi com atenção e continuei a brincar com o porta-moedas, no meu fictício supermercado. Pouco tempo depois morreu, uns bons anos mais tarde ( com mais de dezoito, como lá estava dito ), recebi-os numa caixa verde. O fio já o tinha usado muitas vezes, o anel outras tantas. Mas os brincos, ontem foi a primeira vez.

18 novembro 2005

Parede de recordações











O vendedor de imobiliária hesita ao passar no corredor, aponta para aquela fotografia e pergunta: "É sua mãe?".
Respondo que é a minha avó paterna.
"É muito parecida consigo!"

.

Com a greve dos professores, o que é o meu normal gabinete de trabalho, foi convertido numa espécie de ATL. Tentar trabalhar com o Daniel de 8 anos, dono do Tamagotchi (que entretanto reencarnou num rapaz), com a Margarida de 4 anos e com a Carolina de 3 anos é uma missão quase impossível. Quando dei por mim já me tinham pintado as unhas de verniz cheio de brilhantes e a minha secretária estava convertida num atelier de pintura.

Ao fim de dois anos,

vejo as fotos que a minha amiga Raquel tirou nas nossas férias de Natal em 2003. No tempo em que a Mariazinha era um Feijãozinho com 20 semanas, num dos sítios onde mais gosto de estar (Água de Madeiros), com dois gatos ainda bebés e com os amigos que não prescindimos.

(e numa altura em que eu passava o dia a bocejar e a dormir em qualquer canto)

Numa Empresa ser mais um número é:

chegar à hora do almoço, ao fim de dois anos de trabalho, e dizerem-nos que amanhã já não precisamos vir. Sem se ter em conta as horas a mais, a ausência de faltas, a disponibilidade. Porque sim e porque alguém decidiu. Aconteceu à colega da frente, a solteirona, esta semana.

17 novembro 2005

Uma porta de frigorífico


com muitas histórias por contar.

Geralmente à noite

fica mais afectiva. Dá beijos, abraços, festas, pede colo e sorri meigamente. Quando, acompanhado destes gestos todos, diz: "Mamã..." a olhar calmamente, tenho de inventar uma brincadeira qualquer para não chorar. Quase todas as noites.

Não digam a ninguém

mas não consigo não gostar de circo. Negá-lo seria esconder momentos mágicos da minha infância. Dias felizes.

16 novembro 2005

Pele de carneiro


Lembro-me bem dos que tive em pequena. Desisti da ideia de lhe comprar um par, depois de ter visto quanto custavam numa loja artesanal em Algés. Graças a uma amiga, adquirimos um par por menos de metade desse valor, em Moscavide.

No final do culto de ontem à noite, resolvi experimentá-los, para o caso de ser necessário trocar. A reacção foi tudo aquilo que ninguém esperava: observou-se com o novo calçado, passeou lentamente com ar de satisfação e, na hora de os descalçar, a fita foi tão grande que desistimos. Veio para casa com eles.

Hoje de manhã, levou as botas para casa dos avós. Quando chegou a casa e por um acaso avistou os sapatos, pegou neles e pediu ao papá que lhe calçasse. Passeou mais um bocadinho ao serão, novamente satisfeita.

Nham.

Foram precisos 28 anos para provar ovos verdes. Uma delícia.

Era uma filha.

O Tamagotchi acabou de morrer. A minha colega abana o leque.

Não é para todos!

Foi um percentil 25 até aos 5 meses, só teve o primeiro dente com 13 meses, só começou a andar convictamente sem ajuda perto dos 14 meses. Mas como diz o pai: "A dançar, está ao nível de uma criança africana!"

14 novembro 2005

Músicas que cantamos todos juntos

Deus fez o arco-íris, fez o arrebol
Deus criou o dia junto com o Sol
Deus criou a Lua p'ra brilhar
E as estrelinhas p'ra piscar. (plim!plim!)

Deus criou as flores, árvores também,
Deus criou a chuva que nos faz tão bem
Deus criou a relva p'ra brincar
E este ar p'ra respirar!

Deus fez a gatinha, fez também o cão (ão!ão!)
Deus fez a galinha e o patão grandão (quá!quá!)
Deus fez o coelhinho branco assim
E a vaca dá leitinho p'ra mim! (mú!)

Deus fez o papá, mamã e a mim
Por isso sou feliz assim!

13 novembro 2005


No screen saver do computador passam, aleatoriamente, fotografias nossas. Enquanto dobro a roupa para passar a ferro, brinca junto à cama. De repente, ouço um riso e um som que me parece "tia". Pergunto: "O que disseste, Maria?". Aponta a rir e responde com ar convicto: "tia!".
Era a minha irmã.

12 novembro 2005

A (minha) flor.

No programa especial das crianças, ao sábado de manhã, as crianças seguravam vários símbolos da Criação de Deus. A Maria ficou com a flor. À frente, com meninos mais velhos, todos a cantar, segurava nela com convicção e dançava em círculos.

Recordo-me do versículo em Provérbios que diz: "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele".

Assim desejamos, Maria: que Jesus seja desde cedo o teu melhor amigo.

Palpites

A minha amiga Guida, mãe da pequena Alice que tão graciosamente vemos crescer, consegue quase sempre escrever com as palavras certas aquilo que me circula na cabeça. Obrigada pelo texto, que tantas vezes pensei, mas que nunca redigi.

Este é o meu corpo*
(para a minha amiga Lia cuja barriga, agora maior, conheço desde os quinze anos)

Numa gravidez saudável, sem sobressaltos, o maior problema não são as dores nas costas, os enjoos do primeiro trimestre, as cãibras que nos acompanham quarenta semanas, as idas à casa-de-banho de hora a hora, o sono. O problema maior não é o tamanho que gradualmente atinge o nosso corpo. O problema maior da gravidez é o modo como o nosso corpo passa a ser um bem comunitário, uma espécie de pequeno altar a que todos querem prestar homenagem, tocando por fora o que o nosso santo filho toca por dentro, fazendo-se fotografar ao nosso lado, adivinhando o que aí vem, comparando maleitas antigas, falando-nos para o umbigo, oferecendo-nos cadeiras confortáveis para nos pouparmos, impedindo-nos o mais pequeno gesto que não seja o de levar o garfo à boca, controlando aquilo que comemos, não por nós mas pelo que transportamos pela placenta (e, mais tarde, no leite). O problema da gravidez é que a barriga que nos cresce todos os dias é cada vez menos nossa. Não menos nossa por dentro, porque lá está a crescer um bocado de nós, que é mais que isso; e, se possível, um bocado do outro que amamos, sendo mais que isso; com sorte, até o símbolo desse amor e muito mais que isso. Menos nossa por um todo, por fora e por dentro (amanhã, outra vez, depois dos bebés nascerem e crescerem um bocadinho, ouvimos de novo: “é tempo de um outro filho” ou “grávida outra vez, mas não têm cuidado?”).

Passamos a adolescência a aprender a viver com o nosso corpo, a fase seguinte da nossa vida a tentar estimá-lo como ele é e a não exigir demasiado dele. É quando temos menos tempo para nos dedicarmos a ele que nos despem mais os olhos que lhe passam por cima.


* cortesia de Filipa Melo

Se tantas vezes me incomodei com os toques íntimos na minha barriga de algumas pessoas, de narizes colados ao meu peito que amamentava, aos comentários desanimadores pós-parto, hoje tento virar as coisas e ligar menos ao que toda a gente diz. Ligar menos. Nem sempre consigo, mas é a solução.

11 novembro 2005

O céu e não só.



Sem palavras. Cada nascimento é prova de um milagre. Assisto, silenciosa. Há dias particularmente tocantes.

10 novembro 2005

Comovi-me quando li este post.

Há seis anos, na Marginal.


The Kiss / 1907 - 08 - Gustav Klimt


Cenas da vida laboral

São 10 da manhã e o Tamagotchi deu sinal de vida. Acordou para dizer que está doente. Prlimpimpim e a mãe do dono, que está nas aulas da Escola Primária, dá-lhe o medicamento. Qualquer dia temos baixas por assistência inadiável à família, alínea b) - filhos fictícios dos nossos filhos.

09 novembro 2005

Lápis de cera não-tóxicos e que não sujam nem mãos nem roupa

= vinte e cinco minutos sentadinha a pintar um caderno. Vinte e cinco. 25'.

Assim são as tardes

Uma das minhas colegas chegou muda do almoço. Estava preocupada. Anda com o Tamagotchi do filho atrás e ele hoje ainda não acordou. Logo agora que ele tinha feito amigos (parece que esta é uma das diferenças da primeira versão) e que ia ter um filho. A solteirona cá do sítio, desesperada por viver num Tzero sai-se com esta: "É isso, vou comprar um Tamagotchi. Aposto que vou ser feliz!"

Muáumua!



"Gi-ra-fa, Maria, é uma girafa!"

Reacção:

"Muáumua!"

08 novembro 2005

Plim.

Pela manhã, a caixa de correio electrónica, o inbox. Ao fim da tarde, a caixa de correio do quinto andar, a que falta o parafuso do lado esquerdo e nem sempre quer fechar. Ambas recheadas do que me enche o coração. Ia dizer que tenho muita sorte mas eu não acredito nela. Sou constantemente abençoada, essa é que é a verdade.

Coração nas mãos




Nostalgia, saudade e coisas mais.

Perguntam-me frequentemente se tenho saudades de estar grávida, se tenho saudades da pequena Maria muito bebé. Não sei se foi por ter sido há pouco tempo (mas que me parece tanto!), mas não tenho. O desenvolvimento dela é tão gracioso e espantoso de assistir que a cada dia me deslumbro mais e gozo o momento.

Alguma nostalgia sim, aparece pontualmente. Especialmente quando estou com um recém-nascido e o observo. E tento recordar muitos pequenos pedaços gravados na memória, em fotografias, em mini-filmes. E lembro com conforto o momento em que a vi pela primeira vez, o primeiro momento que lhe dei colo, a chegada a casa e a felicidade que aumentava, apesar do cansaço. E recordo que esta felicidade nunca tinha tido noutra vida.



Blue



07 novembro 2005

?

Porque é que eu não posso dizer que estou enjoada que insinuam logo gravidez?

Trocas e baldrocas.

Partilhamos o mesmo perfume, alguns dias. Na mesma bancada da casa-de-banho, de um lado está o exclusivo masculino e do outro, o exclusivo feminino. Ao centro, o partilhado. Hoje a pressa era tanta e a minha cabeça já magicava os projectos do dia que nem olhei e peguei no perfume errado. Hoje cheiro a homem. E a homem giro. Este perfume cheira mesmo bem.



04 novembro 2005

Encolhida no meu canto.

Eu, que ontem pensava nas coisas menos boas que entram na vida da minha família e que nos deixam preocupados, hoje tudo me parece menos importante. Infelizmente, nada como uma tragédia mesmo ao nosso lado para nos sentirmos culpadamente sortudos. Eu que não acredito na sorte, pergunto-me até quando serei poupada de uma provação verdadeiramente dolorosa. Deus tem protegido os meus e a mim e a única coisa que me ocorre é que nos prepare para tal. Tremo porque sou fraca.

Morto, enterrado e bem acompanhado

O meu primeiro blogue, acabado há um ano, está no Cemitério de blogs. Que estava morto, já sabia. Enterrado, também. Agora, tão bem acompanhado, desconhecia.

Ronc!

No início de uma formação, pelas nove horas, quatro colegas mães há tanto ou menos tempo que eu, queixam-se de sono, de noites mal dormidas e cansaço. E eu, caladinha no meu canto, disfarço. Deitei-me à meia-noite mas a Maria dormia desde as 21h30m. Saí eram 7h55m e o silêncio na casa era total.

03 novembro 2005

Do que a maternidade me trouxe

Chego a uma idade em que eu, a filha, sinto o desejo de proteger os meus pais. Pelo egoísmo de nunca querer ficar sem eles, pela angústia de algum dia os ver sofrer. No fundo, os pais e os filhos foram feitos para se ajudarem, em diferentes fases da vida. Aos meus pais, estarei sempre disponível. Sempre.

Nasceu o João.

O Mundo está mais rico.













- Gustav Klimt -

(era mesmo um João, Xana!)

Faz hoje 18 meses que.


(E 18 meses é um ano e meio).

Oeiras, 21h da noite.

Até gostava de ter assistido ao debate entre a Constança e o Soares. Sentada no chão da sala, quando não tinha uma bolinha de gente a enfiar-me Cheerios pela boca, tinha a voz do chefe, mesmo ao meu lado: "Soares, vou gostar tanto de te ver perder. Vou-me rir tanto! Vai ser lindo. Ah!Ah!"

E foi assim o meu serão.

.



02 novembro 2005

De repente, sinto-me estrangeira em Portugal.

Cresci em S. Domingos de Benfica, nunca pedi "pão por Deus", nunca tocaram à nossa porta a pedir e nunca se falou no assunto na Escola. E, lendo este relato, soa-me que a tradição poderia ter sido bem divertida.

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Por mim, a hora mudava todos os fins-de-semana.

Imprescindível


Flower-Kenzo

01 novembro 2005

É feriado

e apercebo-me, quase às 19h, que o meu telemóvel esteve desligado o dia inteiro. Nos dias perfeitos, não precisamos estar contactáveis.

Lista das prendas de Natal

Uma folha A4. Cheia de nomes.

Génesis 9:12-16



Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações:porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra.
Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco,então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne.
O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que há sobre a terra.

31 outubro 2005

Afectos.

Se há coisa que eu gosto é que ela goste da família. Dos tios, das tias, dos primos, das avós e dos avôs. Crianças que só querem o colo da mãe é de suspeitar. Enche-me o coração vê-la exigir com ar de vítima o colo alheio. E consolar-se quando lho dão.

29 outubro 2005

Delacroix



Study for "The Death of Sardanapalus"
1827-28 (77 Kb); Pastel with chalk over wash on paper; Art Institute of Chicago