30 abril 2008

Quase 4 anos (IV)

No dia de anos, diz que gostava de se vestir muito vaidosa.
(Basicamente, consiste em ter uma saia ou vestido e muita piroseira à mistura. Se puder ter os ombros ou braços à mostra, melhor ainda.)

Quase 4 anos (III)

Mostro-lhe uma toalha de plástico que comprei para a festa de anos, com motivos que ela gosta. O olhar fascinado, ao observar cada pormenor:

"Uau, espectacular!"

Opá.

já nem sei quantas vezes fiquei a olhar para esta fotografia. A mesma coisa com outras, como as que a Xana tirou à Maria há tempos, ou as que vou tirando, em modo macro também. Olho para este retrato e só vejo perfeição, uma beleza que não tem fim. Não há nada aqui que não me encante.
Quando nos dizem das parecenças connosco só me ocorre: mas eles são tão mais lindos que nós.


29 abril 2008

Posso sempre culpar as estúpidas das hormonas.

A minha filha mais velha faz quatro anos no sábado. Não é difícil perceber que já se passaram quatro anos, quando me pede emprestados os meus lenços, se mira em frente ao espelho e como verbaliza os seus medos, gostos e brincadeiras.

Cresceu. Já não é careca, não liga a Cerelac, recusa facilmente um colo, responde-nos em vocabulário elaborado quando não quer fazer algo, tem gostos bem definidos.

De bebé, sobra a Minnie e um polegar para chuchar, sempre acessível. Hoje comprei-lhe uma prenda que sei que irá gostar e revejo fotografias de Maio de 2004. Dá-me uma vontade de chorar, a atirar para a nostalgia.

Como estou num pós-parto, culpa as malditas hormonas. Estúpidas.

28 abril 2008

Por uma noite e um dia

tive quatro filhos. O sobrinho Tomás veio ficar connosco, para grande alegria da Maria e da Marta.


Primeira sopa, Joaquim.



23 abril 2008

Quase 4 anos (II)

De manhã.

Arrasta-se para a sala e repara que no hall está uma caixa de viola. Pára momentaneamente e olha para a porta do escritório, fechada:

- "Não me digas que o Sami está cá a dormir outra vez?", com ar de quem se sente traída por não saber do facto.

- "Está. E hoje vais comigo ao concerto dele e do papá antes que sejas adolescente e te recuses a sair comigo à rua."

- "Já está a dar o SpongeBob? Eu quero ver o SpongeBob."

22 abril 2008

Joaquim, 5 meses.

5 meses. Este filho cresce e nem damos conta.

É um pachorrento, um autêntico mimadinho no meio das irmãs. Dorme bem as noites, passa cada vez mais tempo acordado a descobrir o Mundo, gosta de passeios e conversas.
Há duas semanas deixou a amamentação exclusiva para alternar o leite materno com o leite artificial, contigências de uma mãe de três muito cansada (ou direi, esgotada?) e muitas das vezes sozinha com eles. Opções a tomar, a bem da sanidade mental da prole. Graças a Deus, tenho filhos muito pouco esquisitos e que se adaptam a estas alterações na maior.

Amanhã prova a primeira sopa. Talvez uma fruta, sem pressas. Cá em casa contamos o tostão até ao último, mas sorrimos ao saber que ainda faltam largos meses para nos separarmos.

Está tão lindinho.

Coboiada de manhã

Toca a acordar, que o Joaquim faz 5 meses!



Sou paciente, ó se sou.

À minha reclamação que uns meses, o meu subsídio de desemprego é pago a dia 12 e outros, como este mês, nem vê-lo, a funcionária, refastelada na sua cadeira diz-me com um ar muito convicto que as baixas e "desempregos" nunca tiveram calendário. Ou seja, tanto podem ser pagos a 12 como a 30, digo:

-"Então e a senhora, também não sabe quando recebe? Não tem calendário?",

depressa se ajeita na cadeira e diz:

"Ah, não. Os funcionários públicos recebem sempre certinho."

E pronto, é este o país que nós temos.

Como utente, cliente, paciente,

sou bipolar.

Nas reclamações, não abdico dos meus direitos, mas adopto sempre o tipo de cliente 1, nos serviços a que recorro. Especialmente se falamos da Segurança Social, por exemplo. Sou a menina, quem me atende são as senhoras com idade para serem minhas mães. Apelo-lhes ao coração e levo-as a fazerem aquilo que já era suposto estar feito mas que eu sei, o sistema não ajuda. Se for preciso, até me converto em amiga delas, oiço-lhes as dificuldades no serviço e aturo-lhes as indisposições.

Se a coisa não resulta e encontro do lado de lá alguém verdadeiramente intragável, sou o tipo 2, um verdadeiro monstro insuportável que não se altera no tom de voz mas que não arreda pé enquanto não tem um comprovativo escrito de que o assunto vai ser resolvido. Peço o livro amarelo e mantenho a calma com a mesma convicção de que tenho razão.

Abram alas. Hoje não é um bom dia.

21 abril 2008

Marta, 17 meses.

mesmo desfocada, gosto desta fotografia, amo este ar.


Ano após ano,

há datas que nunca se esquecem, porque não se podem mesmo esquecer.

Há sete anos, ainda vivíamos os cinco irmãos em casa dos meus pais. Sei de cor a roupa que tinha vestida e sei que desistia à última da hora de ir ver um filme de animação com o meu namorado e com dois amigos meus. A noite terminava com uma grande dor, a minha avó materna morria.

Os anos passam e a única certeza que aumenta, a compensar os nascimentos dos bisnetos que nunca chegou a conhecer, é que eu acho que quem morre cercada dos seus, a receber beijos e abraços, só pode estar a partir para o Céu.

E que um dia a volto a ver.

- avó Maria dos Anjos - 

18 abril 2008

Viva a confiança, aos quase 4 anos.

Logo ao entrar no carro, à saída da Escola, exige ouvir as músicas do pai. No entretanto em que as procuro e não se ouve nada, a excitação para a irmã:
"Vamos ouvir o Tiaguinho!".
De seguida, com a música a tocar, interrompe com ar importante: "Quem é que está a tocar na bateria, é o nosso amigo Filipe?"
Baixo o som e digo:"Deve ser."
"Então põe, assim não ouço nada de jeito!"

Ontem,

foi com a Escola ao Hospital da Bonecada (7ª edição, a decorrer no Hospital da Estefânia). Levou a Minnie, tinha dores de barriga. Fez um raio-x (parece que a Minnie tinha engolido qualquer coisa do chão) e trouxe uma receita e mais umas quantas prendas. Vinha numa excitação pegada. A ver se desdramatiza o efeito destas coisas, já que dentro de muito pouco tempo ela terá de fazer o tratamento ao refluxo urinário.

17 abril 2008

Não é em euros,

que esta escolha da domesticidade tem dias cada vez mais apertados, mas garanto:

sou rica.





Um ano e um dia de diferença

ainda nem sei bem como.




Martinha




16 abril 2008

A poucos dias do nascimento do Joaquim,

a minha máquina fotográfica avariou-se. Uma desgraça, portanto. O arranjo previa-se demorado, a reclamação dentro da garantia também. Fui buscá-la hoje, foram cinco meses a registar a vida com uma máquina emprestada. Creio seriamente que a amizade se vê nestes detalhes. Nos empréstimos, na nossa capacidade de perceber a necessidade dos outros. A máquina que tentei preservar como minha durante este tempo e levei comigo para todo o lado, é amanhã devolvida para as tuas mãos, Xana.

Obrigada, obrigada, obrigada.



"Ela é sempre assim tão feliz?"


perguntavam-me desta filha.

Parece que é, especialmente se tiver muita largueza de espaço.
Não requer atenção, autonomia é com ela.


15 abril 2008

Pancada da minha filha mais velha: inventar nomes para as personagens das histórias que conta: Jupedra, Guili, Jila, Juni, etc. Mata-me com estes nomes. Sentadinha na cadeira faz de professora, a irmã é a aluna e acha-lhe graça.
Mais para o final desata aos castigos (é muito comum) e vai tudo de empreitada. A senhora que começa a perder a paciência é a respectiva mãe,e interrompe o vídeo antes que algum responsável da Segurança Social nos bata à porta por presenciar alguma cena chocante.




Quase sempre,

tenho vontade de contar o meu lado lunar a quem me expõe o seu, sem problemas.
Já a quem me parece sempre perfeito, eu também sou incapaz de expressar fraquezas.

Não é sempre assim?

14 abril 2008

Gosto de portas brancas.

Uma casa cheia de portas e de janelas brancas. Eu já tive. E tenho saudades da luz que as portas irradiavam.
Não há como ter uma casa com paredes claras e portas brancas.






11 abril 2008

Contento-me com tão pouco




Não a deixava fazer bolinhas de sabão

na carpete da sala, sem a minha supervisão.
Impaciente, furiosa, sai para o quarto de braços cruzados:

"Não é justo!"

10 abril 2008

Que é feito? (3)

dos chocolates "Coma com pão"? Lembram-se? Custavam 92$, um balúrdio na minha infância. Era suposto comer-se com pão.

Deve ser verdade,

ou sou só eu que ando demasiado cansada, mas de facto a maternidade deve retirar-nos neurónios. Capacidades. Deve bloquear-nos temporariamente para tantas outras coisas que nos eram tão habituais, anteriormente. Talvez isto me tenha batido mais forte nos últimos tempos, com estes três filhos de rajada.

Meto as mãos nos bolsos e confiro se não levo cheiro a leite azedo ou toalhetes sujos e desafio-me a conversas para lá de noites mal dormidas e gracinhas da prole. Caraças, que isto não é fácil. A minha vida últimamente é de facto isto, sem dramas. A minha cultura musical nunca foi grande coisa, é certo, mas do que é que falávamos antes? Como é que eu metia as mãos, agora que as tenho sempre ocupadas? Cruzava os braços, metia-os nos bolsos? Não me lembro de parte de mim. Soa a estranho.

A parte boa é que, quando posso, saio de casa feliz com uma mala minúscula e as mãos a abanar. Quando regresso, está tudo igual. Os meus amigos parecem ainda gostar de mim e da minha companhia. Eu ainda gosto deles.

Um bem-haja aos meus pais

A diferença de há 15 anos para cá no que toca a sair à noite é que há 15 anos a minha mãe não adormecia enquanto não chegasse. Ontem, os meus pais tentavam não adormecer enquanto eu não chegava.
O meu sentimento de culpa, por lhes roubar o sono, é o mesmo.

09 abril 2008

A Marta dorme muito,

mas como eu dizia no outro dia, demorou mais tempo que a Maria a dormir as noites completas. Até aos seis meses, tinha ciclos de três horas. Raro era a semana em que não estava doente, é certo. Ainda hoje. Costumo dizer, a brincar, que de vez em quando, ela fica boa.

Quase todos os dias demora a adormecer. Guincha na cama, revira-se, queixa-se. Vamos lá, ralhamos com ela, que não pode ser, que são horas de dormir. Às vezes penso, realmente, que o facto de não ser uma criança com o sistema respiratório a 100%, a deve atrapalhar no descanso. A meio da noite, às vezes queixa-se. Uma vezes vamos lá, outras vezes acaba por se calar sem ser preciso um aconchego.

Hoje li este post. Realmente faz sentido.

08 abril 2008

Ao domingo cantamos juntos


Pois Tu Senhor, és Rei, acima da Terra.
És exaltado sobre todos, ó Deus.

Exaltar-te-ei,
exaltar-te-ei,exaltar-te-ei, ó Senhor.



Ponto de situação






Há mais de um mês

que anda entretido com as próprias mãos.Não se cansa.



04 abril 2008

Uma das razões,

porque gosto muito de fazer estas prendas com a Maria, é porque desde a compra das peças-mesmo ao lado de casa- até ao momento em que nos sentamos a fazê-las, ela vive tudo com intensidade. Gosta de fazer estes trabalhos manuais. Fala nas pessoas a quem os vamos oferecer. O mais giro é que há um ano, a educadora falava que ela não tinha paciência nenhuma para fazer enfiamentos. Neste momento é precisamente o que ela gosta mais de fazer.

Do consumo

A minha filha ainda acha engraçado descobrir nas prateleiras dos supermercados produtos iguais aos que temos em casa.

"Olha, olha, Nesquik igual ao meu. E olha, cereais do papá. Olha, as bolachas da maninha!"

E por diante.

Nuvens

Altocumulus
Cirrocumulus
Cirrus

Tipos de nuvens



03 abril 2008

Eu hoje eu hoje eu hoje

Às vezes somos (sou) como este doente. Sabemos o que precisamos, que decisão tomar, mas esperamos que alguém a tome por nós, que nos guie, ajude.

Eu hoje eu hoje eu hoje.

Fiz anos

Os meus pais transferem, como sempre, a minha prenda de aniversário para a minha conta. Escusado será dizer que grande parte dela fica sempre por lá, perdida entre contas de farmácia e supermercado. Este ano, mais do que nunca.
Mas ando de olho nestas sandálias. Já disse que gosto das promoções da La Redoute, especialmente as de 40% e das páginas verdes? Vão ser minhas, ó se vão.


02 abril 2008

Hoje,

apanhei a minha filha mais velha na escola e demos um passeio só as duas. Tentava lembrar-me de como era a nossa vida quando éramos só nós. Enfiei-a no carrinho de compras do supermercado, embora a miúda já não tenha idade para aquilo e exceda os 15 kg de peso. Lambuzei-a com gomas, e mais que pedisse. Que este sentimento de culpa que tenho aos finais de dia, quando lhe adio atenção combate-se aqui e ali. Como hoje, ao ir buscá-la só a ela à escola. Como esta tarde, quando comprei o pacote de gomas sem olhar ao tamanho e espécie. Como ontem, quando levei às cavalitas a Marta e pela mão a Maria e nos demorámos a comprar pão.

O coração é grande, mas na prática só tenho dois braços, tantas vezes um só colo. E eles são três.

Filhos diferentes.

A Maria deu-nos o mau exemplo de começar a dormir noites de 10 horas com um mês (e 12 horas com 2 meses), de nunca acordar durante a noite com o nascimento de qualquer dente e de nunca fazer febre com nenhuma vacina.

A Marta chegou e quebrou estas regras todas. Dorme 12 horas por noite, mas só ao fim de uns meses, guincha de dor com o nascimento dos molares e tem feito febrões coicidentes com o 5º e 12º dia pós-vacinas.

O Joaquim enganou-nos a dormir das 22h às 8h durante um mês e meio mas neste momento dorme das 22h30 às 6h, máximo 7h da manhã. Felizmente não tem dentes a nascer nem febres das vacinas.

01 abril 2008

Foi há cinco anos

que criei o meu primeiro blogue. Não tinha filhos, decorria a guerra no Iraque e todos os blogues falavam disso (menos eu, daí o título), tinha uma colega de trabalho que me inspirava parte da escrita e, muito importante, quase ninguém sabia o que era um blogue. Uns tempos depois, a minha colega descobria o que escrevia sobre ela (!) e até conseguia achar graça.

Hoje, toda a gente sabe o que é um blogue. A guerra no Iraque continua (mas não é o tema principal). Tenho 3 filhos e um blogue apenas acessível a quem eu quero (incluindo a minha antiga colega).

Tanta coisa mudou.

Eu não sei que o que é que fiz para merecer isto

mas a Segurança Social está sempre a aprontar-me alguma.










Hoje, ao consultar a situação do meu agregado familiar, descubro que a minha filha mais velha, afinal só é filha do meu marido. É minha enteada.