19 julho 2017

Férias escolares

Chega o Verão e as férias. A média de tempo de ausência de aulas é entre três meses, três meses e meio (isso mesmo, pelo menos 100 dias a tempo inteiro com filhos!). Não sei como seria se eu trabalhasse fora de casa, mas calculo um gasto enorme em ATL's e afins. À excepção de uma semana de acampamento para cada um, eles estão sempre em casa, maioritariamente comigo. O desafio de conciliar todo o trabalho que tenho para fazer é enorme, até porque eles estão de férias mas nós não. O que fazemos? Eles vão connosco para onde precisamos ir (ainda esta semana tivemos várias reuniões, além de consultas médicas).

Mas uma coisa engraçada nisto de eles terem uma semana cada um em acampamentos, é que são cerca de 3 semanas em que eles andam desencontrados. Por exemplo, na semana passada estávamos sem os rapazes e apenas com as filhas e uma sobrinha. Apesar de três meninas em casa, a sensação era a de que estávamos praticamente sozinhos (elas brincavam no quarto, liam, ouviam música, sem desarrumar muito e sem grandes ruídos).

Sábado passado, tínhamos uma filha a partir e dois rapazes para chegar.  A mais velha foi filha única por um dia. Fomos passear, conversar, matar o tempo. Parecia que o dia se estendia sem terminar. Engraçado mas muito estranho!











17 julho 2017

Consolo

A Ana dos cabelos ruivos dizia muita coisa acertada (e outra tanta engraçada). Esta ideia é um bom consolo, o de pensar que o dia de amanhã é um novo dia sem erros nele, ajuda a virar a página e lembrar o versículo da Bíblia que nos recorda que as misericórdias de Deus se renovam a cada manhã. Não podemos apagar o passado nem fingir que não existiu, mas podemos viver sempre com a esperança de que podemos fazer melhor e ser melhor, com a ajuda de Deus.

12 julho 2017

Poder escolher

Vamos para o quinto ano de Ensino doméstico. Já se passaram 4 anos? Já. A discussão em torno de escolhas alternativas parece-me sempre muito superficial.

SOCIALIZAÇÃO
Esta é a primeira questão que geralmente nos colocam. Segundo esta fonte: "O termo socialização é usado pelos sociólogos, psicólogos e pedagogos para se referirem ao processo de assimilação da cultura em que vivemos e de se aprender a viver nela. Para a sociedade, a introdução de todos os seus membros às suas normas, atitudes, valores, motivações, papéis sociais, linguagem e símbolos é "o meio pelos quais a continuidade social e cultural é atingida".

E isto tem de necessariamente ser feito na escola, no modelo que a conhecemos? Uma das coisas que me intriga é que partimos do princípio que a socialização tem de ser obrigatoriamente feita no meio da respectiva faixa etária, debaixo do modelo escolar que conhecemos.

Acredito numa socialização com pares, mas acredito numa aprendizagem feita no meio da vida real. Nas compras, nos transportes, com vizinhos mais velhos. Preparando para a vida. Isto só se faz com tempo. Não escondemos a realidade nem queremos criar crianças totós. Mas podemos ser nós a participar dessa realidade? Acho que podemos (e devemos).

CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM
Se nos compararmos com países como o Brasil (*), em que o ensino doméstico é ilegal, temos a liberdade de em Portugal optar por esta via. Mas se nos compararmos com os Estados Unidos, não temos liberdade nenhuma. Então como funciona o ensino doméstico em Portugal? A criança fica à guarda de um tutor (pode ser pai ou mãe ou qualquer adulto que tenha mais do que um ciclo de ensino do que aquele que está a leccionar à criança) e, no final de cada ciclo de ensino (4º, 6º, 9º e 12º ano) a criança tem de obrigatoriamente comparecer no Agrupamento de Escolas da área da residência para prestar provas de equivalência à frequência de todas as disciplinas que o Estado determinou que são as exigidas para aquele ciclo de ensino. Em 4 anos neste modelo, 3 deles tivemos de comparecer para exames. A Maria, mais velha, já compareceu no 4º e 6º ano, a semana passada foi a estreia da nossa Marta, para o 4º ano.

Nesta parte, pretendo fazer um parêntesis bastante necessário. Vivemos em Oeiras e temos uma relação com o Agrupamento de Escolas muito boa. Nunca fomos tratados com estranheza, sempre fomos bem recebidos (primeiro, porque quando optámos por esta decisão, a explicámos presencialmente aos responsáveis do Agrupamento; em segundo, porque as notas se têm verificado bastante boas, o que ajuda a perceber que alguma coisa está a correr bem).

Mas chamam a isto liberdade. Os pais podem optar pelo ensino doméstico desde que o Estado se certifique que estão a ensinar aquilo que eles determinaram que tinham de ensinar. Isto não é bem liberdade.

MODELO ESCOLAR
Cá em casa, sonhamos com uma escola cristã evangélica. Estamos inseridos num modelo escolar com outras famílias, que se têm mobilizado para fazer acontecer algo de concreto. Já estivemos mais longe de isso acontecer mesmo, e estamos certos que Deus querendo, irá surgir no tempo certo. Temos três filhos neste modelo, isto porque a "escola" ainda não é sustentável e só pode assegurar a faixa etária 1º - 6º ano. A nossa mais velha vai para o segundo ano fora disto. Está em casa, num modelo de homeschooling mais tradicional.  

Esta é outra questão que nos fazem muito frequentemente e inclui: "Então e tens capacidade de ensinar tudo o que ela precisa aprender no 7º ano?". Basta pesquisar um pouco pela internet fora (ou falar com quem pratica modelos opcionais) e vemos que a autonomia é a chave para a aprendizagem em ensino doméstico.  Ensinar a criança a pensar e a calcular, e ela está pronta para desbravar caminho. A Maria vai para o 8º ano e eu não estou sentada ao lado dela todos os dias. Ela tem um plano de trabalho, que avança em papel ou virtualmente, e vai testando conhecimentos. Se acho que se tem de aprender imensa coisa desnecessária? Acho. Sonho com o dia em que poderemos optar um currículo alargado e flexível, em que decorar as fases de formação das rochas não seja encarado como um conteúdo essencial à sobrevivência da humanidade.

A RESPONSABILIDADE DOS PAIS
Esta é a parte mais sensível, mas não a vou saltar. Optar por este modelo dá uma grande trabalheira, uma enorme despesa, uma preocupação constante. Não optamos por esta via por causa dos resultados (a nossa maior preocupação enquanto pais é a salvação dos nossos filhos e isso não está nas nossas mãos). Não optamos por esta via porque é garantia de adultos cristãos felizes e responsáveis, embora o desejemos. Optamos por este modelo porque sentimos que podíamos fazer diferente e que não tínhamos de nos render ao modelo comum.

É frequente perguntarem aos nossos miúdos (especialmente quando não estamos) se eles gostam desta escola. Os mais novos nunca conheceram outra e não contestam muito (embora fiquem curiosos com outros modelos). A nossa mais velha sente-se pressionada, não tanto por desprezar este modelo em que ela tem de facto muita liberdade e autonomia, mas porque se sente diferente, e a pressão social é tramada. Ia pedir para pararem de fazer isso, ok? :)

Mas sempre que ela se vem queixar, tentamos trabalhar o lado da segurança e o poder ser diferente. Sem manias, sem arrogâncias, mas poder ser aquilo que quisermos. Temos de fazer todos igual? Não.

Quero, ainda, fazer a ressalva que só optámos por este caminho porque a nossa estrutura familiar permitia. Claro. Ter uma filha a tempo inteiro connosco e ir buscar os três filhos pelas 15h todos os dias, não está ao alcance de quem faz um horário de trabalho normal. Eu sei disso. Mas não vou dizer que esta opção não é muito esforçada, porque é. Era tão mais fácil quando tínhamos uma escola nas nossas traseiras e onde podíamos deixar os miúdos até tarde, se quiséssemos.

Acredito que há muitos caminhos, mas não vou mentir que este caminho tem sido muito bom para a nossa família. Somos agradecidos a Deus por ter chegado até aqui. Queremos continuar um caminho de confiança e humildade. Assim Deus nos ajude.


(*) - Tanto quanto me foi informado, até há pouco tempo o ensino doméstico era ilegal no Brasil, mas foi aprovada uma lei que faz com que exista um vazio legal nesta matéria. Contudo, é um país onde este assunto ainda não é claro. 

11 julho 2017

Recordações

É uma recordação com quase 30 anos, das férias em Cabanas. A praia sempre teve muitas conchas e pedras, e muitas dunas com plantas. Parte do dia era dedicado a encontrar as conchas mais bonitas, as pedras mais lisinhas para depois trazer e inventar planos com elas. Fiz molduras, postais, arranjos para velas. É preciso passar a tradição para os mais novos.







10 julho 2017

Aquashow



Tivesse eu de eleger uma das melhores recordações que tenho de verões passados, e no top 5 estavam certamente os parques aquáticos. Foram bastantes sábados a usufruir de convites para ser companhia de uma colega que era filha única, alguns escaldões, e muita diversão.

Nos últimos anos, sempre que nos cruzávamos à beira da estrada a caminho do Algarve, com os anúncios dos parques aquáticos, que prometíamos aos miúdos que iríamos quando todos tivessem idade para aproveitar (já que os bilhetes não são propriamente baratos). Foi este Verão. O nervoso miudinho que se apodera de mim para querer experimentar uma data deles, faz-me sentir novamente com 15 anos. Mas depressa me recordei que não os tinha quando, sozinha na fila para um deles, estou rodeada de rapazes no fim da adolescência e um deles toma a iniciativa, na hora de descer: "Deixa passar a senhora." E eu passei, claro, antes que me desse para desistir.

A seguir a mim veio um dos meus herdeiros, que a cada desafio queria mais um. Foi um dia tão divertido!




07 julho 2017

Férias

Voltar aos sítios onde encontramos memórias, algumas com décadas, é sempre uma boa ideia. Uma espécie de refúgio que nos ajuda a descansar, dormir, desligar. Os três d's destas férias: descansar, dormir, desligar. Fica o desafio de viver isto com equilíbrio o resto do ano.

O tempo estava maravilhoso, a temperatura do mar perfeita, o areal desimpedido. Junho é um mês bonito para rumar a sul.



















Cabanas, Praia Verde e Cacela. Imprescindíveis.

04 julho 2017

Até breve!

Da mesma forma que Deus tem espalhado a nossa família pelo mundo, também nos tem dado família nova. Os Bustrum têm estado ao nosso lado neste desafio e privilégio de servir a Deus. Hoje foi dia de dizer: até já, meus irmãos!

16 junho 2017

Uma aventura Indiana - Mississippi



Fez ontem um ano que embarquei numa aventura. Tinha mesmo de lhe chamar aventura porque foi a primeira vez, em 14 anos, que me ausentei de casa por mais do que um dia. Foram 12 dias do lado de lá do Atlântico, a assistir a uma conferência que muito desejei ir e a estar com os meus queridos que vivem por lá. Nunca imaginei que alguma vez isto iria acontecer (até porque nunca o pensei fazer sem marido e filhos). Mas assim aconteceu. Tentei, nas semanas seguintes, registar boa parte do que aconteceu. Não registei nem 10%, está quase tudo no meu caderno. Mas dá para ter uma ideia, é clicarem neste link




12 junho 2017

Depende.


- Descobri este post em rascunho há mais de um ano. Nunca foi publicado. Acho que porque tinha sempre receio de parecer demasiado defensivo. Se calhar, é. Mas parece-me justo e verdadeiro. Aqui fica. -

Todos os que passaram a barreira dos "alguns filhos" (em Portugal, a partir de 3 já estamos a resvalar para a loucura), já ouviram com toda a certeza um: "Que coragem!" dito em tom mais crítico que elogioso. Uma pessoa habitua-se a dar nas vistas, a contornar perguntas que não passam de mera invasão de privacidade, a viver de forma diferente da maioria. A assumir consequências destas escolhas, porque não sei se sabem, uma família numerosa tem que ter sempre cuidado se por acaso resvala para um queixume num dia menos bom, porque habilita-se a ouvir: "Fizeste-os, agora aguenta". A gente aguenta, não se preocupem.

Mas há uma coisa que ainda não me habituei a ouvir. É aquele elogio fingido acerca do sentido prático dos pais de famílias numerosas, revestido de uma insinuação de despreocupação/negligência: "Claro, uma pessoa com vários filhos não se pode preocupar com algumas coisas porque não há vagar para grandes contemplações".

Eh, pá, isto até pode ser um bocadinho verdadeiro.  Mas geralmente quando esta frase é dita, é acentuada num tom que não é só preconceituoso. É muito julgador. Pensar que, por causa de as crianças serem mais não recebem amor da mesma maneira. Ou que o amor se recebe por comer a sopa sempre à mesma hora (não, queridos amigos, as crianças não têm de comer sempre ao meio-dia ao fim-de-semana porque na escola comem a essa hora de segunda a sexta, não vão morrer se tiverem de esperar com uma fruta ou uma bolacha na mão por mais algum tempo), ou por lhes limparmos o rabo até aos 6 anos, ou ainda por lhes cortarmos o bife em pedaços pequeninos mesmo quando eles já sabem usar uma faca, ou nos planos sempre feitos ao redor deles.

Não, os filhos não devem ser o centro da vida dos pais, sejam eles 1, 2 ou 10. Dar amor não é um serviço permanente às crianças como se fôssemos seus empregados ou como se o nosso objectivo maior na vida fosse vê-los felizes (o que é isso de os ver felizes, já agora?). Dar hábitos de trabalho e ensinar-lhes a autonomia desde cedo não é uma extrema necessidade de uma família numerosa. É uma coisa que qualquer criança deveria aprender desde cedo.

A seguir a esta vem a do: "Pois, têm mesmo de existir horários", isto a propósito de as crianças dormirem cedo, por exemplo. Qualquer criança precisa de descansar (embora nem sempre todas descansem do mesmo modo), e quem manda são os pais, não são eles que decidem se já querem ou não dormir a sesta. Quando estamos a definir regras, estamos a dizer que os pais também têm uma vida, precisam ter uma vida depois de os filhos irem dormir, e sobretudo, precisam descansar também. Mais: os pais contam ter uma vida além dos filhos, até porque quanto a mim conto que um dia destes eles vão à sua vida, e se Deus quiser, fiquemos novamente só os dois e isso seja saboroso. Convém que este lado agradável não fique suspenso no tempo em que existam filhos e mais tarde soe a estranho isto de sermos só dois; os pais existiam antes dos filhos, os filhos existem por causa de um encontro entre os pais, e o relacionamento dos pais é fundamental para a vida dos filhos. (Se estes argumentos não me bastassem, bastaria certamente olhar para o ar exausto dos pais que sucumbem à ditadura dos filhos que decidem que horários fazer. E não estou a falar de bebés a mamar, ok?)

Se os pais de mais filhos têm menos tempo para cada um? Depende da vida da família e do que é isso do "tempo" e da "qualidade" (eu acho que não há qualidade sem quantidade, mas essa era outra discussão). Depende das escolhas que se fazem. Depende do que queremos fazer com eles, para eles, e deles. Depende. E isso serve para qualquer família, seja ela pequena ou grande.

02 junho 2017

Somente.



Somente a Graça
Somente a Fé
Somente Cristo
Somente a Escritura
Só a Deus a glória




29 maio 2017

Crominhas



Estas duas primeiras fotografias são de agora, 2017.

Em 2003, quando criei um blogue, nem me passava sequer pela cabeça que iria efectivamente conhecer pessoas que se cruzavam comigo em interesses comuns por essa internet fora. Muito menos que ganharia coragem para ir a um almoço mesmo no início de 2006, e que desses conhecimentos nasceriam amizades que seriam o meu apoio crucial numa fase de grandes mudanças. Foram quem esteve comigo semanalmente a aturar mau humor de noites mal dormidas, quem partilhou comigo as inconstâncias de não saber o que o futuro trazia.

Como compensação, ainda tenho o privilégio de ter assistido ao crescimento das suas famílias, e ainda mais raro nos dias de hoje: ver cada uma destas famílias a permanecer no tempo.

Apesar de não partilharmos agora a proximidade física de outros tempos, fazemos de tudo para tentar encontros espaçados. Não esquecendo que, ainda há bem pouco tempo, num regresso que precisava ser apressado do Tiago do Brasil, foi aqui neste círculo que encontrei a resolução.

Agradeço muito a cada uma, e também a Deus, foi ele que nos cruzou (não poderia ser de outra forma).