16 maio 2017

Mamã

(Mamã)

Vivemos numa época tão corrida que parece que os dias especiais têm de ser altamente comemorados. As festas temáticas, os eventos inesquecíveis, um sem fim de memórias que parece que se vão como vieram. Não sei se é assim, mas aos meus olhos parece-me um bocadinho que esta obsessão com o "tempo de qualidade" seja muito derivado do sentimento de culpa de não haver "tempo normal" mas muita falta dele.

Já disse antes que sou uma pessoa de datas, e gosto de comemorações. Mas não necessariamente as muito tradicionais. Gosto de recordar de formas diferentes cada data e ano específico, e - imaginem! - até alturas em que por algum motivo a comemoração não foi comemoração nenhuma e estivemos apenas.

Portanto, quando há obrigação do "tem de ser", ofereço alguma resistência. Talvez também por ter crescido sem valorizar muito as datas que se institucionalizaram. O dia da mãe (ou das mães, que isto dava pano para mangas) não ganhou uma carga por aí além quando me tornei mãe. Mas se é para agradecer, quero estar lá com prontidão. E sou muito agradecida pela mãe cristã que Deus me deu, e porque ainda a tenho comigo e é avó dos meus netos.